Por Carlos Lima

A esclerose múltipla, ou esclerose em placa, caracteriza-se por uma inflamação crónica dos neurónios do sistema nervoso central (SNC) [1], em que se desenvolve um processo de desmielinização e de formação de placas cicatriciais.

Como já falamos anteriormente, a mielina está para o neurónio [1] como o isolamento está para o fio eléctrico. Também analisámos que os neurónios com isolamento de mielina transmitem o impulso muito mais rapidamente e dão ao cérebro informações muito mais precisas sobre a origem do estímulo.

Falo hoje da esclerose múltipla, porque esta afecta essencialmente o jovem e o adulto jovem e porque, há trinta anos, vivi com o Cláudio um processo muito complicado e indefinido, com poucas soluções, porque pouco se conhecia sobre a doença. O Cláudio, infelizmente, morreu depressa demais e não pôde beneficiar dalguns progressos no diagnóstico e no tratamento desta doença.

A esclerose múltipla [2] é caracterizada como sendo uma doença auto-imune, com uma componente hereditária, em que os gémeos verdadeiros têm 30 % de probabilidade de contrair a doença e em que o factor desencadeante parece ser um agente viral.

Uma doença auto-imune caracteriza-se pelo sistema imunitário, ou de defesa, da pessoa se virar contra as próprias células, identificando-as como estranhas ou agressoras. Em reação a isso, desencadeia-se um processo inflamatório mais ou menos generalizado. Na esclerose múltipla, existe uma grande quantidade de anticorpos indiferenciados no SNC, como resposta.

Por esta razão, a fase inicial da doença pode ser confundida com doença inflamatória, mas é a evolução crónica e com episódios agudos que torna o seu diagnóstico definitivo.

As complicações que vão surgindo mexem com vários sistemas corporais e a sua evolução exige uma reestruturação da vida e uma adaptação a um novo estilo de vida, que contemple algumas limitações.

Quando estudada através da imagiologia (TAC, ressonância magnética, etc.), observam-se placas, que podem ir de milímetros a vários centímetros, na estrutura do cérebro [3, 4], porque as crises agudas em que existe uma forte desmielinização se fazem acompanhar dum processo cicatricial, que fica registado e observável.

Os surtos têm uma duração variável e podem ir de 24 horas a algumas semanas, podendo existir ou não processo de recuperação da mielina, mas a forma contínua pode não apresentar surtos e existem pessoas que foram portadoras de esclerose múltipla e não apresentaram sintomas.

A instalação da doença pode ser abrupta, ou evoluir cronicamente e de forma lenta. Podem aparecer dificuldades a caminhar, em falar, perturbação nas sensações, como a sensação de falta dum membro do corpo, apesar deste estar presente, e perturbações oculares, porque a esclerose múltipla mostra grande afinidade para afectar o nervo óptico.

As perturbações sensoriais são do tipo de formigueiros, dormência, dor e sensação de perda de controle dos próprios membros, uma lentificação da marcha e um cambaleio típico. Também dificulta a marcha devido ao alongamento do pé (pé equino), que faz a pessoa tropeçar facilmente.

As funções cognitivas sofrem poucas alterações no inicio, mas são muito afectadas na fase mais avançada da doença.

Todo o organismo é atingido progressivamente, podendo perder muitas das capacidades de controlo e, inclusive, desenvolver-se incontinência urinária e fecal.

O tratamento visa principalmente controlar, ou retardar, a evolução a doença e, secundariamente, pretende reduzir os sintomas.

Saúde!

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