Por Gustavo Martins-Coelho [a]

O casamento não é para ti. Mas, antes de tirares conclusões precipitadas, continua a ler.

Os melhores amigos devem apaixonar-se. Todos nós temos paixões por estranhos, mas a amizade é a base do amor. Mesmo assim, é natural que surjam dúvidas relativamente ao casamento: estaremos prontos? será a escolha certa? será a pessoa certa? seremos felizes?

Mas a resposta é só uma: tu não te casas para seres feliz; tu casas-te para fazer alguém feliz. O casamento não é para ti; é para a tua família. Não para os sogros e os cunhados, mas para os teus filhos. Quem é a pessoa que queres ao teu lado para os criar? Quem achas que será um bom modelo para eles imitarem? A pessoa certa para casar é aquela que queres fazer feliz, que queres fazer rir, que queres na tua família e que te quer na sua, e com quem queres construir uma nova família.

A filosofia do supermercado está errada. Se não te faz feliz, podes devolver e trocar por um novo. Não: o casamento diz respeito ao que a pessoa que amas quer, necessita, espera e sonha. O egoísmo pergunta:

— O que posso receber?

O amor pergunta:

— O que posso dar?

Por vezes, podemos perder isto de vista. Mas, se soubermos corrigir a mão, vamos sempre a tempo.

Assim, a todos os que lerem este artigo — casados, noivos, solteiros e mesmo os solteirões inveterados —, saibam que o casamento não é para vocês. Nenhuma relação amorosa verdadeira o é. O amor é para a pessoa que vocês amam.

Paradoxalmente, quanto mais amarem essa pessoa, mais amor receberão. E não só da vossa cara-metade, mas também dos seus amigos, da sua família e milhares doutros, que nunca conheceríeis, se o vosso amor fosse egocêntrico.

A sério, o casamento não é para ti. É para os outros.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original, publicado no blogue «Seth Adam Smith» [1].

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