Por Gustavo Martins-Coelho (com TO)

Domingo, 7 de Agosto de 2005. O resto da tarde foi passado em Amesterdão. À semelhança do que se passa em Portugal, esta cidade tem também um grande problema com os incêndios. Há sempre qualquer coisa a arder e paira no ar um cheiro a erva queimada o dia inteiro. Porém, parece que as pessoas não se importam e até vivem bem com isso, pelo menos a avaliar pelas caras sorridentes que se viam nas ruas; até parecia que estavam a ver elefantes cor-de-rosa e cogumelos saltitantes…

Mal chegámos, tivemos a certeza de que estávamos na cidade certa, porque, inevitavelmente, a estação estava em obras. De facto, agora que nos aproximamos a passos largos do final da viagem, podemos dizer, em jeito de balanço e sem muita margem de erro, que metade das coisas que visitámos estava em obras.

Voltando a Amesterdão, a primeira paragem foi no edifício da Bolsa de Valores, uma construção austera, toda em tijolo vermelho, ao bom estilo da arquitectura moderna holandesa que, em boa verdade, mais parecia uma fábrica do que outra coisa. Daí, passámos por uma das ruas mais comerciais de Amesterdão, já no Lado Novo (que não é tão novo como isso, pois data do século XV, mas que é assim chamado por contraposição ao Lado Velho, medieval), e fomos até à Praça Dam, que pode ser considerada o centro de Amesterdão. É nessa praça que fica o Palácio Real, um edifício imponente, e a Igreja Nova, cuja visita agendámos para o dia seguinte, aproveitando o passe que planeámos comprar, que permite a entrada livre em todo o lado (sim, porque os capitalistas holandeses, além de cobrarem pelos mapas, cobram também pelas entradas nas igrejas).

Percorremos de seguida os quatro canais concêntricos: primeiro, o mais interno, o Singel; depois, o Canal Senhorial, mais largo e mais rico, pois era onde habitavam os senhores de Amesterdão (daí o seu nome) em «pequenas» casas com quinze a trinta quartos; posteriormente, o Canal do Imperador (em honra do Imperador Maximiano I, que ofereceu a sua coroa ao brasão da cidade), onde fica a Casa das Cabeças, que tem esculpidas na sua fachada as cabeças de seis deuses romanos; e, finalmente, o Canal do Príncipe, onde havia uma casa com uma fila imensa à porta, que dava a volta ao quarteirão e que mais tarde viemos a saber ser a Casa da Anne Frank.

Depois de explorarmos os canais de Amesterdão, passeámos um pouco pelo Le Joordan, que, na nossa opinião, nada tem de especial. Continuámos, pois, o caminho do Canal das Flores, onde não vimos flores algumas — mas, em compensação, vimos três casas conhecidas como «O camponês», «O pastor» e «O marinheiro», em virtude dos relevos alusivos a cada uma dessas profissões, sobranceiros à porta de cada uma das casas.

Posteriormente, voltámos a percorrer os quatro canais concêntricos que circundam o centro da cidade, desta feita em sentido contrário, prestando particular atenção ao Canal Senhorial. Neste, vimos a Casa Bartolotti, que tem a particularidade de ter duas portas: uma para as entradas e saídas diurnas e outra para uso nocturno. Quanto às Casas Cromhout, como não podia deixar de ser, estavam em obras e com as fachadas completamente ocultas.

No Mercado das Flores, o Tê comprou dez bolbos das celebérrimas túlipas holandesas. Pelo caminho, passámos ainda por uma festa do orgulho gay, onde se dançava muito agarradinho… ao som dum fado chorado por um conjunto português! Mais à frente, já a caminho da Ponte Magra, voltámos a encontrar uma outra festa tão orgulhosa como a primeira, apenas com som diferente. De qualquer forma, «sem mulheres não há lágrimas» — a frase cantada por Bob Marley («no woman, no cry») — assenta perfeitamente em tal evento. Jantámos em frente à referida ponte, depois atravessámo-la e, contornando a festa, dirigimo-nos à última atracção do dia: o Quarteirão da Luz Vermelha, onde apreciámos as montras, embora, como ainda era cedo, muitas das lojas permanecessem fechadas.

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