Por Carlos Lima

A mama, essencialmente a da mulher, é uma estrutura corporal sob suspeita, dado que existem ainda muitas situações de cancro da mama. Mas há que não esquecer que o homem também pode ter cancro da mama.

Apesar da evolução tecnológica que nos permite rastrear ao limite, ainda se fazem muitas mastectomias em Portugal [1]. Talvez por factores culturais, a detecção de muitos dos cancros da mama é feita tardiamente e pela própria pessoa.

Os rastreios regulares para mulheres entre os 45–65 anos [2] são uma realidade de que todas as mulheres podem beneficiar, mas existe gente que não usufrui, talvez por vergonha, o que faz jus ao dito popular «quem tem vergonha passa mal».

Quando é detectada uma situação de cancro da mama num rastreio, a pessoa é rapidamente orientada dentro do Serviço Nacional de Saúde (SNS), através do Instituto Português de Oncologia (IPO) [3]. É das coisas de saúde que melhor funciona em Portugal.

Detectado o cancro, a pessoa é submetida a um controlo apertado durante os primeiros anos, mas depois muitas pessoas cantam vitória e esquecem a vigilância. O cancro que apareceu uma vez pode voltar a aparecer e o tecido mamário é de grande sensibilidade pelas transformações que sofre ao longo da vida.

Ninguém vence o cancro definitivamente, vence aquele cancro em concreto, nada mais. É por esta razão que se fazem muitas mastectomias profilácticas, principalmente em mulheres que já sofreram de cancro na outra mama, ou que têm uma história familiar em que a probabilidade de vir a sofrer de cancro da mama é elevada, como foi o caso mediático de Angelina Jolie [4].

Deixo a minha homenagem à Natércia, uma grande lutadora, apanhada na teia. Venceu um, venceu dois e sucumbiu ao terceiro assalto, alguns anos depois da primeira situação.

Lutar contra o cancro é lutar contra algo que não dá um minuto de trégua [5]. É, por vezes, lutar sozinho, porque o cancro da mama irrompe pela vida e leva uma parte importante do sentir-se mulher e ser vista como mulher. Muitas vezes, aparece numa situação em que a família já não está saudável e gera sempre a desconfiança:

— Só estás comigo porque estou doente.

O cancro é mesmo assim: entra na nossa vida, toma tudo por completo, até ao dia em que arranjamos estratégias para saber conviver com ele, com a cura e com o risco da sua hipotética existência.

Não há forma de evitar em absoluto o cancro da mama, há prevenção e detecção precoce; esta facilita as abordagens terapêuticas e melhora prognósticos.

Todos sabemos que existem comportamentos facilitadores que aumentam em muito o risco de contrair cancro, mas, apesar de nem os piores hábitos garantirem absolutamente que se vai ter cancro, não arrisque — pode perceber que não valeu a pena.

Nunca se sabe se o cancro vai e onde vai aparecer, dai não ser possível impedi-lo. O que se sabe é que a mama, pela sua natureza estrutural, pelas alterações que sofre ao longo do ciclo menstrual e ao longo do ciclo de vida, principalmente após a menopausa, é um dos locais do corpo mais exposto ao risco.

Os rastreios, de que já falei, têm vindo a limitar o número de mortes e de mastectomias, com custos mínimos, mas contínua a caber a cada um de nós adoptar estilos de vida saudáveis.

Saúde!

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