Por Gustavo Martins-Coelho [a]

As campanhas de recolha de alimentos beneficiam mais os supermercados, pelo aumento das vendas, e o Estado, pelo aumento da receita fiscal, do que aqueles a quem se destinam. Ano após ano, os bancos alimentares contribuem para engordar os lucros do Continente e do Pingo Doce, sem que estes tenham, sequer, de investir em promoções ou publicidade, enquanto o Estado cobra milhões de euros de IVA sobre todo este comércio.

Enquanto os voluntários que procedem à recolha dos alimentos julgam estar a ajudar as famílias portuguesas, estão — isso sim — a ajudar as famílias Azevedo e Soares dos Santos. A maior parte da ajuda nem sequer chega aos seus destinatários.

É preciso encontrar mecanismos alternativos de ajuda, que não passem por intermediários que retêm a maior parte do valor dos produtos e aos quais não seja imposto o IVA.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original, publicado no jornal «Correio da Manhã» [1].

Anúncios