Por Jarrett Walker [a]

Quando um estudo ou jornalista norte-americano se refere a «áreas metropolitanas», provavelmente quer dizer isto:

2015122401 2015122402 2015122403 2015122404Estas fotos são todas de áreas metropolitanas estatísticas norte-americanas [2] (MSA). Muitos, muitos estudos nacionais — incluindo o recente estudo da Brookings Institution sobre «transporte colectivo e empregos na América metropolitana» [3] — referem-se às MSA quando dizem «área metropolitana».

No entanto, as MSA são agregados de condados, consistindo nas manchas vermelhas do mapa abaixo:

Os condados existem em todos os tipos de tamanhos estranhos e são geralmente irrelevantes para quem vive a experiência real duma área metropolitana. Os condados do Leste dos EUA são habitualmente pequenos, de modo que as MSA são aí muitas vezes credíveis. Mas os condados do Oeste são muitas vezes enormes, pelo que as MSA têm de ser enormes também. Quase dois terços da área da Califórnia constituem áreas metropolitanas, segundo esta definição, incluindo a MSA Riverside-San Bernardino-Ontário, que contém a maior parte do deserto do Mojave. As areas metropolitanas norte-americanas incluem o Grand Canyon, as áreas selvagens de Cascade, a Leste de Seattle e Portland, uma grande parte dos Everglades e o vasto Voyageurs do Norte do Minesota, acessível apenas em canoa ou mota de neve.

Assim, quando a Brookings Institution, por exemplo, declara [3] que Riverside-San Bernardino tem um mau desempenho em termos de tempos de viagem para o trabalho em transporte colectivo, essa declaração refere-se, em parte, ao tempo de viagem entre Needles e Riverside, uma distância de cerca de 370 km pelo meio do deserto. Essa declaração insinua também que deve haver serviço intenso de transporte colectivo entre a área de Riverside e região de Palm Springs, embora os moradores sintam estas zonas como duas áreas metropolitanas diferentes. Os seus centros ficam a cerca de oitenta quilómetros de distância, as cidades de permeio são, na sua maioria, semi-rurais e, se esses factos não forem suficientes, também há uma montanha de cerca de 3.000 metros [4] no caminho. O que importa para a MSA é que as duas áreas metropolitanas estão nos mesmos condados que Riverside-San Bernardino, de modo que nada mais sobre a sua geografia pode possivelmente importar.

Um problema mais profundo surge quando as estatísticas demográficas duma MSA são declaradas características duma «área metropolitana». Consideremos a MSA Visalia-Porterville, local da primeira foto acima. A MSA, idêntica ao condado de Tulare [5], tinha uma população de 368.000 habitantes em 2000. Todas essas pessoas são contadas nas estatísticas baseadas em MSA sobre a «América metropolitana», mas apenas cerca de metade delas vive numa cidade mais de 50.000 habitantes. A outra metade vive em cidades muito menores e em áreas rurais. As áreas rurais também têm necessidades de mão-de-obra elevadas, pelo que suportam populações semi-móveis, validamente capturadas pelos censos, que não têm relação com cidade alguma. A cultura fundamentalmente rural e de cidade pequena, indistinta de muitos outros condados inteiramente rurais, é descrita como metropolitana, sempre que a MSA Visalia-Porterville é referida em generalizações sobre a «América metropolitana». Esta cultura não é apenas um pequeno ruído estatístico, facilmente descartado. É metade da população da MSA.

Este é um desses absurdos que somos treinados a julgar eternos. Muitos limites estranhos e enganosos (por exemplo, alguns condados, limites de cidade [6], etc.) vão persistir, ainda que sejam desprovidos de significado emocional ou cultural, simplesmente porque pessoas influentes estão ligadas a eles por uma questão de interesse próprio. Mas quantas pessoas estão realmente ligadas desta forma às MSA? E será realmente impossível, com todas as informações cada vez mais detalhadas dos censos, descrever as áreas metropolitanas de forma mais detalhada e precisa?

E, mesmo que estejamos condenados às MSA, é realmente apropriado manter a expressão «área metropolitana», quando queremos dizer MSA? É estatisticamente conveniente, dada a quantidade de dados que é organizada por estas unidades. Mas não estaremos a enganar as pessoas sobre o que é uma área metropolitana?

No sentido que geralmente importa para a política urbana, «área metropolitana» significa «a continuidade luminosa que se pode ver à noite dum avião ou satélite». Podemos aproximar esta definição com blocos censitários, como alguns autores fazem. A sua definição técnica é algo como «qualquer aglomeração de blocos censitários contíguos que têm uma população ou densidade de emprego não-rural». Os blocos censitários são suficientemente pequenos para poderem agregar-se de acordo com a geografia, ligando o que está realmente ligado e separando o que está realmente separado. Definir «área metropolitana» dessa forma iria finalmente significar o que as pessoas comuns querem dizer com «área metropolitana».

Além do mais, contribuiria imenso para reduzir os ataques por ursos na «América metropolitana».


Notas:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

b: Fotos:
Kaweah Gap, Parque Nacional das Sequóias, MSA Visalia-Porterville, Califórnia. Davigoli, Wikipédia.
Lake Mead National Recreation Area, MSA Las Vegas-Paradise, Nevada. Foto do A.
Duck Lake e High Sierra, John Muir, MSA Fresno, Califórnia. Foto do A.
Glaciar Matanuska, MSA Anchorage, Alasca. Elaina G, Google Earth.
Lago Melakwa, Alpine Lakes Wilderness, MSA Seattle-Tacoma-Bellevue, Washington. Wikipédia.
Deserto a Sudoeste de Las Vegas, MSA Las Vegas-Paradise, Nevada. Foto do A.

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