Por Alice Santos

O Natal passou e o novo ano está aí. Mas, afinal, o que mudou ao longo do ano que agora finda? Muito pouco ou nada, creio eu. Assistimos a guerras em vários pontos do globo. A fome e a miséria alastram, sobretudo devido ao desemprego, mas talvez não estivéssemos perante tanta desgraça, se a luta pelo poder não fosse o comando do mundo. Quem sabe, se em cada um de nós houvesse um pouco mais de boa vontade, um pouco mais de caridade [1], mas não a chamada caridadezinha [2], quem sabe, se dentro de cada lar a paz fosse o mote do dia-a-dia, quem sabe — talvez o mundo fosse melhor. Um mundo menos bélico, menos egoísta, menos egocêntrico, menos adormecido é o que precisamos no ano que se inicia. Um mundo onde o abandono de idosos, os maus tratos infantis, a violência doméstica, os sem-abrigo, os refugiados e tantos outros assuntos, tantas vezes controversos, deixem de ser notícia de abertura de noticiário. Façamos uma reflexão. Vejamos por onde devemos começar. Por nós!… Comecemos então por nós e talvez a paz se alastre por esse mundo que esperamos e queremos seja de amor e solidariedade. Acordemos a cidade, pois ainda há sonhos! Sejam bem-vindos a 2016!

Cidade adormecida

Na cidade adormecida
Há sonhos acordados,
embrulhados em cobertores
velhos,
sujos,
suados.

Tal como a vida
gasta,
dormente,
que marina numa caixa de papelão.

Há sonhos.
Sonhos desfeitos,
gelados,
rasgados pelo tempo.

Há sonhos.
Sonhos que pululam nas arcadas,
sonhos que vagueiam na calçada,
descalços de futuro.

E há gente.
Gente que ainda sonha
sonhos escritos nas estrelas,
desenhados no mar,
pintados de vento,
que navegam nas veias,
muito além do firmamento.

in «A arte pela escrita cinco: coletânea de prosa e poesia», Mosaico de Palavras, 2012

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