Por Satoshi Kanazawa [a]

A teoria da estratégia reprodutiva condicional destaca a importância da influência ambiental na puberdade e sugere que as raparigas usam a presença ou ausência do próprio pai em casa como uma pista do nível provável de investimento paterno que podem esperar do seu companheiro, quando começarem a sua vida reprodutora. Se o pai está ausente, elas aprendem que os homens não são fiáveis, enquanto que, se o pai estiver presente, elas aprendem a confiar nos homens. No entanto, há uma peça em falta, nesta explicação.

Para que a estratégia reprodutiva condicional tenha evoluído entre as mulheres, a tendência dos homens para se comprometerem com os relacionamentos e o investimento paterno (por outras palavras, a fiabilidade dos homens como fonte de apoio) deve ser estável ao longo das gerações. A experiência da mãe com os seus parceiros deve ser indicadora da experiência da filha, uma geração mais tarde. Como é isso possível?

Uma sugestão é que as raparigas usam a presença ou ausência do pai no lar como um indicador da instituição do casamento na sociedade. Segundo essa visão, a ausência do pai não significa necessariamente falta de vontade do homem de formar relacionamentos de longo prazo, mas um alto grau de poligamia na sociedade. Numa sociedade altamente poligâmica, os homens casados dividem a sua atenção entre várias mulheres, pelo que não podem gastar muito tempo com qualquer uma delas, ou a sua descendência. Assim, quanto mais poligâmica uma sociedade, menos tempo qualquer rapariga (ou rapaz) passa com o pai. Por seu turno, nas sociedades monogâmicas, os homens casados ​​têm somente uma esposa, pelo que podem passar todo o seu tempo com a mulher e os filhos. O nível de ausência do pai pode ser um indicador nível micro (dentro da família) do grau de poligamia a nível macro (dentro da sociedade).

Nas sociedades poligâmicas, há um incentivo para que as raparigas amadureçam mais cedo, porque uma menina púbere pode tornar-se uma segunda esposa dum homem rico, enquanto uma menina pré-adolescente não pode. No entanto, não há incentivo para que as raparigas amadureçam mais cedo na sociedades monogâmicas, porque todos os homens adultos de tais sociedades já são casados ​​(e não podem casar de novo), dada uma razão sexual de aproximadamente 50/50, de modo que as meninas púberes só podem casar com jovens adolescentes, que não têm a capacidade ou o estatuto suficiente para sustentar uma família.

De acordo com esta lógica, uma análise de diferentes culturas mostra que as meninas entram na puberdade significativamente mais cedo nas sociedades poligâmicas e nas sociedades monogâmicas com uma alta incidência de divórcio (e, portanto, uma maior incidência de poligamia seriada). Deste ponto de vista, a idade média da puberdade caiu vertiginosamente nos Estados Unidos nas últimas décadas, porque a taxa de divórcio (e, por consequência, a incidência dum novo casamento para os homens, ou seja, a poligamia seriada) aumentou dramaticamente. Lembre-se de que a maioria dos norte-americanos tem casamentos polígamos [2].

O mecanismo bioquímico pelo qual a separação dos pais precipita a puberdade precoce nas meninas não está bem estudado. O psicólogo do desenvolvimento evolutivo Bruce J. Ellis, da Universidade do Arizona, sugere que as feromonas (uma substância química que viaja dum indivíduo para outro, de forma a permitir ao primeiro influenciar o comportamento do segundo) emitidas pelo padrasto e outros homens não consanguíneos no agregado familiar pode desencadear a puberdade precoce nas meninas. Este é um dos mistérios remanescentes da psicologia evolutiva.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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