Por Gustavo Martins-Coelho

Domingo, 7 de Agosto de 2005. De Amesterdão [1], regressámos a Utreque para dormir, fazendo votos de que a chuva nos largasse, na continuação do nosso passeio.

Segunda-feira, 8 de Agosto de 2005. Este dia foi inteiramente passado em Amesterdão, tendo começado com uma hora na fila do posto de turismo, para conseguir adquirir o cartão I AMsterdam, o passe que nos deu acesso a toda a rede de transportes públicos da cidade, a todos os museus, a um passeio de barco pelos canais e ainda a uma data de descontos — de que, diga-se de passagem, não usufruímos. Terminado este pequeno espaço publicitário, prosseguiremos a narração das nossas aventuras e desventuras na cidade porventura mais liberal do mundo…

Começámos o passeio pelo Canal dos Cervejeiros, donde destacamos a casa com a Coroa Imperial esculpida na fachada. Desse canal, atravessámos praticamente toda a cidade para ver o grande edifício verde garrafa, em forma de proa de navio, da autoria do mesmo arquitecto do Centro Pompidou de Paris, conhecido como Nova Metrópole. Subimos ao terraço do último andar, para apreciar a vista da cidade; e, depois de descermos, observámos a Casa da Navegação — aquele que é considerado o primeiro verdadeiro exemplo do estilo da Escola de Amesterdão — e a réplica do navio Amesterdão, que pertencera à Companhia das Índias Ocidentais.

A Igreja Velha, que visitámos a seguir, localiza-se, ironicamente, bem no centro do Quarteirão da Luz Vermelha e, como se isso não bastasse, tem em frente um cinema que apenas exibe filmes homossexuais e ao lado uma coffeshop. Não podia, portanto, estar melhor situada. A igreja era bastante despojada, mas, em compensação, tinha um órgão que fazia perfeitamente jus à fama dos fabricantes de órgãos holandeses.

Já a Igreja Nova, onde finalmente entrámos, de igreja tem só as paredes e o nome, porque o interior alojava uma exposição sobre o mundo oriental. A igreja seguinte foi a Igreja Ocidental, que tem uma senhora torre.

Na Casa de Anne Frank só deve poder entrar uma pessoa por dia, pois o comprimento da fila duplicava de dia para dia, o que nos desencorajou profundamente e nos fez relegar uma visita para uma próxima vez em que, eventualmente, voltemos a Amesterdão. Por isso, fizemo-nos ao caminho, de eléctrico que chia nas curvas, até ao Beginhof, um bairro de casas antigas com um pequeno jardim à frente, ao estilo inglês, organizado em volta dum pátio e do adro da igreja.

Chegou, enfim, o momento cultural, com a visita ao Museu Real, que aloja as obras dos grandes mestres holandeses, entre os quais se destacam Rembrandt, Verrneer e Haals, entre outros. Hoje, percebemos o significado da Casa dos Golfinhos, por onde passámos, quando percorremos o Canal Singel [1]: foi nesta casa que habitou o Capitão da Ronda da Noite, retratado num dos quadros mais conhecidos do mestre Rembrandt.

Mesmo em frente ao Museu Real, ficava o cais, não do Sodré, mas de embarque para a nossa excursão pelos canais da cidade, durante a qual tivemos uma visão diferente dalguns pontos por onde tínhamos passado, tendo ainda ficado a conhecer outros recantos da cidade da Cruz de S.to André, padroeiro dos pescadores, como o Oudeschans.

O dia não podia ficar completo sem a habitual tragédia ferroviária. Desta vez, não perdemos o comboio: foi ele que se perdeu. Melhor dizendo, enganou-se no caminho. Uma troca de agulhas fê-lo enveredar por uma linha de estacionamento — sem saída, portanto, e onde, para cúmulo, já se encontrava outro comboio estacionado. Imaginamos a cara do maquinista ao deparar-se com esta situação mirabolante! Os passageiros, o que nos inclui, tiveram de abandonar o comboio e partir noutro, que nos levou à labiríntica e omnipresente estação central de Utreque, onde mudámos de comboio para chegarmos a Mastrique. Por lá, não assinámos qualquer tratado — limitámo-nos a apanhar o comboio para Lieja.

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