Por Jarrett Walker [a]

O Yonah Freemark, do blogue «Transport politic», tem um artigo interessante [2] sobre o esforço do presidente da câmara de Toronto, Rob Ford, para financiar a construção duma linha de metro inteiramente através de «captação de valor» (value capture) — um processo que capta, como receita para o projecto, alguns dos lucros que vão surgir a partir do desenvolvimento urbano à volta das estações. A iniciativa do presidente Ford não está a correr bem, em parte porque os residentes estão a apresentar objecção ao nível de densidade de construção que seria necessária para suportar o investimento no metro.

A «captação de valor» tem várias ligações aos resultados urbanistas. Um programa de expansão ferroviária impulsionado por «captação de valor» teria os seguintes resultados:

  • Prender a conclusão da linha a opções do plano director municipal e imobiliárias que permitissem maior densidade à volta das estações. Para quem valoriza o desenvolvimento compacto e sustentável, este é um ponto positivo, não uma falha. Isso significa que uma linha não pode continuar, a menos que as comunidades na linha concordem em aumentar significativamente a densidade urbana. Muitas regiões urbanas estão a tentar fazer essa ligação através de escolhas políticas, mas fazer depender o financiamento do projecto é, obviamente, uma maneira muito mais eficaz de manter o ordenamento do território fortemente ligado ao transporte colectivo.
  • Não servir áreas de alta densidade já existentes, tais como a Chinatown de São Francisco ou a Broadway de Vancôver. Se o leitor acredita que zonas já densas merecem tanto serviço de transporte colectivo como novas zonas de elevada densidade, «captação de valor» não é a solução.
  • Não servir resultados de «justiça social», como, por exemplo, a extensão da Linha Vermelha em Chicago, na medida em que a «captação de valor» requer o deslocamento de populações.

Eu não sou a favor nem contra a «captação de valor», em abstracto, e desconfio das parcerias público-privadas em geral, mas não há como negar que o primeiro ponto — que quando queremos garantir que o desenvolvimento urbano vai acontecer de forma a suportar a existência da linha férrea, a «captação de valor» permite um ênfase muito mais intenso nesse resultado.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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