Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Estava casado há ano e meio quando te conheci — um casamento seguro, sem riscos, com uma amiga leal, longe de casa, dos amigos e de relações tumultuosas. Não estava apaixonado; sem desejo, não corria o risco de me magoar.

Passado algum tempo, senti-me preso e comecei a procurar formar uma nova rede de contactos. Foi através de conversas descomprometidas no Twitter que nos conhecemos.

Um dia, organizaste um evento de voluntariado e eu aproveitei para me envolver com a comunidade e te conhecer. Foi aí que redescobri o que era sentir-me atraído por alguém. Ficámos amigos; começámos a trocar mensagens; víamo-nos de vez em quando. Começaste a interessar-te por mim e isso fez-me sentir bem. Deste-me muita confiança e auto-estima, naqueles seis meses, mas fizeste-me perceber que o meu casamento tinha acabado antes mesmo de começar. Apoiaste-me imenso. Entretanto, o meu sentimento por ti passou além da amizade e da admiração. Comecei a depender de ti para me sentir bem.

Depois dum dia particularmente difícil que acabou com duas garrafas de mau vinho num pub, escrevi-te uma mensagem, sugerindo que deveríamos ficar juntos, ignorando os limites da nossa relação. Respondeste-me que não e não me falaste desde então. Isso doeu terrivelmente e não estou totalmente certo de que fosse merecido. Duas semanas sem falar, talvez. Um aviso, definitivamente.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original de autor anónimo, publicado no jornal «The Guardian» [1].

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