Por Diana Martins Correia

Falhei-te e falhei-me, porque a espera não se cumpriu. Deixei de ter explicações sublimes para o que as manhãs me trariam e para os momentos em que tinha saudades de mim própria. Deixei de ter um sítio onde sentia ainda algum conforto, onde a memória era leve e a desilusão não se lembrava de mim. Mas desabei por tanto e tão pouco.

Agora que já não há lugar a ilusões, abriu-se o caminho à perda de motivos para não falhar, para vencer a imperfeição com virtudes admiráveis. Ficou o espaço ao perfeccionismo dos erros e ao esquecimento, à desordem da existência, em mim e nos outros, sem nada que me protegesse de morrer aos poucos do corpo e da alma.

A ti, digo-te que não tem sido fácil. Poucas coisas fazem sentido ─ de mim para mim ─ sobre quem devo ser e o tempo pouco o esclarece. Sei apenas que estou cada vez menos perto do que esperavas, mas cada vez mais próxima do que quero. Essa é a minha grande conquista.

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