Por Satoshi Kanazawa [a]

Outra característica individual que segue a regra dos 50-0-50 [2] é a idade da puberdade — em particular, a idade em que as meninas têm a menarca (início da menstruação).

Num estudo recente publicado na revista «Journal of Research on Adolescence», Xiaojia Ge, Misaki N. Natsuaki, Jenae M. Neiderhiser, e David Reiss usam o estudo de gémeos para estimar o contributo relativo dos genes (hereditariedade), do ambiente partilhado e do não partilhado para a idade da puberdade em meninos e em meninas. Com dados do estudo «Nonshared Environment in Adolescent Development», eles estimam que a distribuição 45-01-55 para os rapazes e 50-01-49 para as raparigas. A partir dos dados do estudo «National Longitudinal Study of Adolescent Health», eles estimam que a mesma seja 40-05-55, no caso dos meninos, e 46-06-48, no caso das meninas. Estas estimativas ficam muito próximas da regra dos 50-0-50.

Outros estudos convergem na estimativa da herdabilidade em torno de 50–80 %, o que significa que o ambiente determina algures entre 20 e 50 % da variância da idade da puberdade.

Este é um momento muito bom para repetir o que significa, para a genética do comportamento, o ambiente partilhado e não partilhado. Em particular, é muito importante não confundir «ambiente partilhado» com «ambiente familiar» (apesar de que todo o ambiente partilhado acontece, de facto, dentro da família) e não confundir «ambiente não partilhado» com «ambiente fora da família» (ainda que uma grande parte do ambiente não partilhado de facto aconteça fora da família). Lembre-se que a definição precisa do ambiente partilhado é «todas as influências que acontecem dentro da família, susceptíveis de tornarem os irmãos duma família semelhantes entre si, mas diferentes dos doutra família» e que a definição precisa de ambiente não partilhado é «todas as influências que acontecem dentro e fora da família, susceptíveis de tornarem os irmãos duma família diferentes um do outro». Um dos elementos-chave do ambiente não partilhado, que influencia fortemente o momento da puberdade, especialmente no caso das meninas, é o divórcio dos pais.

À primeira vista, pode parecer estranho que o divórcio dos pais faça parte do ambiente não partilhado entre os irmãos na família. Afinal de contas, todos os irmãos partilham o mesmo par de pais, os pais divorciam-se somente uma vez e o processo acontece ao mesmo tempo para todos os irmãos na família; todos os irmãos passam pelo divórcio dos pais exactamente no mesmo tempo. Por que razão, então, faz este parte do seu ambiente não partilhado?

Isto acontece, porque os irmãos vivem o divórcio dos pais de forma diferente, dependendo da sua idade. Excepto no caso dos gémeos (e todos os nascimentos múltiplos), os irmãos têm necessariamente idades diferentes, quando um evento singular (como o divórcio dos seus pais) tem lugar. Os estudos de genética do comportamento e os estudos com gémeos mostram claramente que a idade das meninas quando do divórcio dos pais é crucial para determinar as consequências que este terá no seu desenvolvimento púbere e na sua posterior orientação sociossexual (como eu discuti em artigos anteriores: [3, 4, 5]). Se a menina tem menos de cerca de cinco anos de idade quando os pais se divorciam, ela vai atravessar a puberdade significativamente mais cedo e virá a ter uma orientação sociossexual significativamente mais ilimitada (iniciando a actividade sexual mais cedo e tendo maior número de parceiros sexuais). No caso da irmã mais velha, que tem apenas mais alguns anos de idade, partilha metade dos seus genes e vive o divórcio do mesmo conjunto de pais exactamente ao mesmo tempo, as consequências para o seu próprio desenvolvimento púbere e para a sua orientação sociossexual podem ser mínimas.

O exemplo do efeito do divórcio dos pais no momento da puberdade assinala que, por vezes, um evento singular que acontece num único momento no seio da família e é vivido por todos os irmãos exactamente ao mesmo tempo pode, no entanto, constituir parte do seu ambiente não partilhado, não porque o evento seja objectivamente diferente para cada um deles, mas porque os próprios irmãos são diferentes quando o facto acontece e, por consequência, o vivem subjectivamente de forma diferente.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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