Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Começámos por digerir o custo do BPN. Metemos dinheiro no Banif. Fragilizámos a Caixa Geral de Depósitos, obrigada a meter dinheiro em maus negócios e a delapidar património, para salvar a pele duns quantos perdulários. Vimos a «Operação Furacão» trocar condenações em tribunal por fuga ao fisco e branqueamento de capitais no BCP, BES, BPN e Finibanco por alguns milhões pagos ao Estado. Condenámos o Jardim Gonçalves, por ter omitido contas em offshores do banco. A fusão Compal-Sumol, financiada pela Caixa, foi investigada. O Ricardo Salgado andou metido no «Monte Branco». O ajuste de rácio dos bancos portugueses secou o financiamento da economia. O banco de fomento é uma açorda cozinhada pelo KfW. Com a desculpa de financiar pequenas e médias empresas, escondem-se interesses nos muitos milhares de milhões do QREN.

Resta a pergunta inconveniente: em vez de refundar o Estado, não deveríamos, primeiro, refundir este sistema financeiro?


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original do Pedro Tadeu, publicado no jornal «Diário de Notícias» [1].

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