Por Satoshi Kanazawa [a]

Cada ser humano tem quatro avós: avô paterno, avó paterna, avô materno, e avó materna. Pense nos seus avós agora. E, independentemente deles estarem vivos actualmente, verifique de qual dos quatro é ou foi mais próximo em sua vida. Tente ordenar os seus avós em termos de quão perto se sente ou sentia deles. De qual é mais próximo? De qual se sente menos próximo?

Se o leitor é como a maioria das pessoas, independentemente de ser um homem ou uma mulher, provavelmente concluiu que é ou era mais próximo da sua avó materna, seguido do seu avô materno e da avó paterna, e que é ou foi menos próximo do seu avô paterno. Este é, na verdade, um padrão universal. Um estudo duma grande amostra de estudantes da Universidade do Michigão mostra que eles se sentem emocionalmente mais perto das avós maternas, passam mais tempo com elas e recebem mais presentes delas, do que qualquer outro avó; e que se sentem emocionalmente mais perto, passam mais tempo e recebem mais presentes do avô materno e da avó paterna, do que do avô paterno.

O padrão é recíproco, também. Do ponto de vista dos avós, um estudo do luto paterno mostra que as avós maternas lamentam a morte dos seus netos mais do que as avós paternas e os avôs maternos e que estes, por sua vez, sofrem mais do que o avô paterno. Resultados semelhantes são encontrados em estudos realizados no Canadá, na Alemanha e na Grécia. Outros estudos mostram que, geralmente, nos sentimos mais próximos e temos mais contacto com nossos familiares maternos em geral, do que os familiares paternos, apesar do facto de que, em média, vivemos mais perto dos nossos familiares paternos do que dos maternos. Não tenho conhecimento de qualquer estudo sobre os avós e as suas relações com os netos, que viole a ordem: avó materna > avó paterna = avô materno > avô paterno. Agora, o que explica este padrão peculiar, mas preciso e universal?

A chave para compreender este padrão são os conceitos paralelos de incerteza de paternidade e certeza de maternidade. As mães estão sempre certas da sua maternidade, enquanto os pais nunca podem estar completamente certos da sua paternidade (os dois conceitos são bem descritos no ditado popular: «filhos de minha filha meus netos são; os de minha nora serão ou não»). Como a maternidade é sempre certa, as avós maternas sempre têm a certeza de estar relacionadas com os netos; não há possibilidade de traição (e, portanto, duma ruptura na cadeia genética) em qualquer ponto da sua ligação aos netos. Em nítido contraste, o avô paterno tem duas razões por que pode não estar relacionados com os netos: ele pode ter sido traído pela mulher, ou o seu filho pode ter sido traído pela mulher, ou ambos. Os avôs maternos e as avós paternas ficam entre esses dois extremos; ambas as categorias de avós têm uma razão por que poderão não estar relacionados com os netos.

Resulta, assim, da lógica da psicologia evolutiva que a avó materna tem mais contacto, é mais próxima e investe mais intensamente nos seus netos do que o avô materno e a avó paterna, que por sua vez têm mais contacto, são mais próximos e investem mais intensamente nos seus netos, do que o avô paterno. Claro, nada disto é consciente, tanto da parte dos avós como dos netos. Nós sabemos que nos sentimos mais próximos das nossas avós maternas do que das nossas avós paternas, mas não sabemos porquê. As avós maternas gostam dos netos muito mais do que os avós paternos, mas também não sabem porquê. Também não estou ciente de qualquer perspectiva teórica, além da psicologia evolutiva, que possa explicar a ordenação precisa: avó materna > avó paterna = avô materno> avô paterno.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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