Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Embora a pressão esteja a abrandar, a situação das economias da periferia do euro permanece difícil.

A redução do risco deve-se à acção do Banco Central Europeu, à introdução do Mecanismo de Estabilidade Europeu e ao reconhecimento de que a união monetária, sem mais integração, é instável. Mas deve-se, sobretudo, à mudança de atitude da Alemanha, que percebeu que a crise do euro prejudica todos os países e não só os da periferia.

Mas a periferia do euro apresenta poucos sinais de melhoria e a sua recessão está a alastrar aos países do centro. A balcanização da actividade económica, dos sistemas bancários e dos mercados de dívida pública persiste. Os níveis de dívida pública e privada são  insustentáveis. Os défices externos, o inverno demográfico, os baixos ganhos de produtividade e a lenta introdução de reformas estruturais reduzem o crescimento potencial. No curto prazo, enquanto os países com défice externo foram forçados a gastar menos e poupar mais, países com superávites externos não aumentaram a procura interna, pelo que os seus excedentes comerciais permanecem elevados.

A união monetária permanece em equilíbrio instável: ou a zona euro avança para mais integração política, com legitimidade democrática e transferência de soberania, ou entrará em desunião, desintegração, fragmentação e destruição. A Alemanha, opõe-se, por ter receio de que essa integração implique um subsídio permanente da periferia à custa do centro, acusando as economias periféricas de falta de produtividade e reformas estruturais e ignorando que as uniões monetárias de sucesso, como os EUA, têm uma união bancária e fiscal que partilha o risco entre todos os estados e onde os estados mais ricos subsidiam permanentemente os mais pobres.

Ao mesmo tempo, não se discute como restaurar o crescimento a curto prazo. Sem crescimento, o nível da dívida será sempre insustentável, independentemente dos esforços para reduzir o défice.

Ainda que os riscos das economias periféricas estejam a diminuir, a crise fundamental da zona euro continua por resolver e é provável que persista por anos, mantendo a probabilidade de renegociações da dívida e da saída de países.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original do Nouriel Roubini, publicado na agência «Project Syndicate» [1].

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