Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Dizia-se que a banca portuguesa não só está sólida como nada tem que ver com os escândalos que se passam noutros países.

Quanto à solidez, estamos conversados: BPN, BPP, BES, Banif — e os bancos que recorreram a ajudas estatais (BCP — 2.000 milhões, BPI — 1.500 milhões.

Quanto aos escândalos, em 2003, Tavares Moreira, presidente não executivo do CBI, é acusado de declarações falsas, manipulação e falsificação de contas; João Rendeiro, ex-presidente do BPP, é acusado de várias irregularidades graves e muito graves; José Oliveira e Costa, ex-presidente do BPN, foi detido no final de 2008, por ter criado uma contabilidade paralela, num banco virtual; Jardim Gonçalves e seus apaniguados foram condenados pelo crime de manipulação de mercado, mediante a criação de offshores e a falsificação de documentos; Jorge Tomé é arguido num processo relativo à altura em que foi administrador da CGD; José Maria Ricciardi e Amílcar Pires, foram constituídos arguidos por um alegado crime de abuso de informação privilegiada; o presidente do BES, Ricardo Salgado, andou a colocar dinheiro no exterior, sem o declarar ao fisco. É preocupante o número de banqueiros portugueses que, neste momento, estão a contas com a Justiça.

Talvez esteja na hora dos banqueiros reverem os seus comportamentos. O bem mais precioso que um banco tem é a confiança. Mas a confiança nos bancos é a confiança naqueles que os dirigem. É bom que os banqueiros nacionais meditem nisso.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original do Nicolau Santos, publicado no jornal «Expresso» [1].

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