Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Andam a estudar como fomentar a natalidade, através de benefícios fiscais e outros instrumentos, sem perceberem que só haverá mais portugueses, se dermos esperança às pessoas, se desenvolvermos um conceito regenerador para o país, se houver perspectivas entusiasmantes. Ter muitos filhos é também uma questão de fé no futuro.

Ir para fora não é um drama. Milhões de compatriotas saíram, em tantas alturas. Fazer as malas e rumar a novas paragens torna-nos cidadãos do mundo. Mas, logo que possas, volta para cá. Portugal é o melhor país do mundo.

Ser livre é seguir o seu próprio caminho. Não sejas céptico, nem presunçoso, nem diletante. Esforça-te; faz mais do que te é exigido. Impõe-te metas absurdas. Surpreende.

Lê muito: romances, os clássicos, História, biografias — todos os dias, mais do que os professores te recomendarem.

Segue uma profissão onde consigas afirmar-te, construir uma carreira, um percurso, uma personalidade e tornares-te independente. Tenta viver confortavelmente, mas não fiques escravo do dinheiro. Dedica-te à causa pública; contribui para o bem comum; pensa no próximo.

Não dês muita atenção àqueles que vaticinam tempos terrivelmente difíceis: os pessimistas erram tanto como os outros, só que são mais aborrecidos.

Sê atencioso com toda a gente, sobretudo com aqueles que te parecerem menos importantes. Aproveita cada minuto.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original do Gonçalo Reis, publicado no jornal «Diário Económico» [1].

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