Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Casar? Para quê? Amamo-nos e isso é o importante. Que sentido tem uma cerimónia exterior, que nada acrescentará ao nosso amor? Queremos um amor genuíno, livre, sem qualquer tipo de coacção! Parece-nos mais sincero. Não necessitamos de ligaduras, cortariam as asas da nossa liberdade.

O casamento parece uma perda de liberdade. Se uma pessoa decide casar-se, perde a capacidade de escolha; se isso for sinónimo de liberdade, o casamento significa a sua perda. Mas será a liberdade somente isso?

O casamento é visto como uma realidade formal e sem muito valor. É uma visão simplista. O casamento não é somente a sua cerimónia, é um vínculo, que se cria a partir da vontade daqueles que casam, que compromete o futuro.

Quem ama de verdade não deseja ser nem viver sem o amado. O futuro sem o outro seria sem sentido, inclusivamente para a liberdade do próprio. Quem ama de verdade deseja a fusão — um «nós» em lugar do «eu» e do «tu». O compromisso é o que dá origem ao «nós», libertando-o dos perigos do egoísmo e do orgulho. A eternidade no amor não pode vir da atracção, do enamoramento e dos sentimentos românticos. A eternidade no amor só pode vir da liberdade que não teme comprometer-se sem condições.

Por isso, juntar-se não é a mesma coisa que casar. Juntar-se não muda o «eu», somente as circunstâncias em que o «eu» vive. Casar transforma o «eu» em «nós», capaz de resistir às intempéries, porque protegido pela liberdade responsável daqueles que se amam de verdade.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original do Pe. Rodrigo Lynce de Faria, publicado no blogue «Spe Deus» [1].

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