Por Gustavo Martins-Coelho [a]

A data da revolução dos Cravos é uma que não pode ser esquecida por quem a viveu e o dia mais feliz da vida de muitos lutadores contra a ditadura. Valeu a pena? É evidente que sim. Só os que nunca usaram os cravos nesse dia e nos anos seguintes podem perguntar se valeu a pena — como o ainda Presidente da República, que é sincero: um político de Direita, que nunca esteve contra a ditadura de Salazar.

O 25 de Abril foi feito exclusivamente pelos militares de Abril e por mais ninguém. A eles — só a eles — deve o povo português o fim da ditadura e a liberdade total: a libertação dos presos políticos, o fim da PIDE, da Censura e da guerra colonial; e, acima de tudo, a entrega do poder político aos partidos. Por isso, nunca podemos esquecer e deixar de respeitar os militares de Abril, como fizeram o governo do Pedro Passos Coelho e o seu protector permanente, o Aníbal Cavaco Silva.

Mas há pior: não esquecer a anterior presidente da Assembleia da República, que tratou os militares insultuosamente, quando estes manifestaram o desejo de discursar no 25 de Abril, nos 40 anos de aniversário dessa data especialíssima.

A humilhação dos militares de Abril é inaceitável. Talvez fosse melhor certos políticos dizerem logo que são contra o 25 de Abril e o que ele representa.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original do Mário Soares, publicado na revista «Visão» [1].

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