Por Gustavo Martins-Coelho

2016021701.pngCircular numa rotunda em Portugal é exasperante. Para os peões, é andar em círculos e às curvas, quando a menor distância entre dois pontos é uma recta [1]. Para os automobilistas e demais condutores de veículos, é o «salve-se quem puder». Ninguém sabe circular em rotundas e a última versão do código da estrada não conseguiu resolver o problema, muito porque as próprias rotundas não estão, na sua maioria, construídas de forma a fazer cumprir a lei rodoviária de forma natural [2].

Mas também me parece que há alguma falta de sensatez dos condutores à mistura. Ao fim e ao cabo, conduzir passa também por saber adaptar-se às condições da estrada.2016021702.png

Pense o leitor comigo: se chegasse a um entroncamento e quisesse mudar de direcção, passar-lhe-ia pela cabeça colocar-se do lado oposto da via? Ou seja, passar-lhe-ia pela cabeça fazer o trajecto marcado a vermelho na figura 1, à esquerda?

Creio que não; salvo muito raras excepções criminosas, julgo que a esmagadora maioria dos condutores teria a sensatez de se desviar para a direita, antes de mudar de direcção, consoante a marcação a verde na figura 2, à direita.

2016021703.pngE se o entroncamento ficasse localizado numa curva da estrada? Mais uma vez, julgo que a maioria dos condutores faz o percurso a verde e não aquele que está traçado a vermelho, na figura 3, à esquerda. Talvez esteja enganado, mas é essa a impressão que vou ganhando, enquanto circulo na estrada e vou vendo os outros circulando.

Então, o que transtorna os condutores, quando chegam a uma rotunda? O que os leva, repentinamente, a esquecer a lógica que aplicaram nos entroncamentos e a considerar correcto virar à direita, a partir da via da esquerda, como ilustrado na figura 4, abaixo?

Uma rotunda não é mais do que uma espécie de sucessão de entroncamentos à direita, sobre uma rua que curva à esquerda, pelo que a mesma lógica que se aplicou a um entroncamento individual, tal como ilustrado na figura 3, à esquerda, se aplica às rotundas. Da aplicação do artigo 14-A do código da estrada, resulta, precisamente, essa forma de circulação. Dizem as alíneas b) e c) desse artigo:

b) Se pretender sair da rotunda na primeira via de saída, deve ocupar a via da direita;

c) Se pretender sair da rotunda por qualquer das outras vias de saída, só deve ocupar a via de trânsito mais à direita após passar a via de saída imediatamente anterior àquela por onde pretende sair, aproximando-se progressivamente desta e mudando de via depois de tomadas as devidas precauções;

Ou seja: estas instruções encontram-se representadas graficamente na figura 5, abaixo. Cada linha colorida representa um percurso possível na rotunda, tendo em conta a entrada e a saída. Qualquer outro percurso, que não esteja representado, é errado, pelo que, por favor se abstenha de fazê-lo. É que já não há paciência para ver automobilistas a atravessarem rotundas transversalmente!

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