Por Carlos Lima (com Jéssica Ramos e Margarida Oliveira)

Carlos:  Já todo ouvimos gente a dizer:

— Estou tão cansado do meu trabalho; põe-me doente e só me apetece ficar em casa.

A Jéssica e a Margarida trabalharam esta temática e vão falar sobre a síndroma de burnout, que é uma das possíveis explicações para este tipo de afirmações.

Jéssica:  O cansaço e a desmotivação no trabalho estão cada vez mais presentes nos dias de hoje. Este fenómeno pode ser mesmo considerado, nalguns casos, sindromático.

Margarida: A síndroma de burnout foi inicialmente descrita como um conjunto de sintomas médico–biológicos e psicossociais inespecíficos, produto duma exigência excessiva de energia no trabalho, mas, mais tarde, com o aumento dos estudos acerca do tema, foi definido como uma síndrome de exaustão emocional, de despersonalização e de redução da realização pessoal.

Jéssica: Esta decorre dum processo gradual de desmotivação e de desgaste do humor, acompanhado de sintomas físicos e psíquicos, e é caracterizada por três dimensões sintomatológicas: exaustão emocional, que é observada pela presença do esgotamento emocional ou físico; despersonalização, que é observada pela insensibilidade emocional ou endurecimento afectivo; e falta de envolvimento no trabalho, observada pela inadequação tanto pessoal como profissional.

Margarida: Tal como qualquer outra síndroma, existem sintomas que a caracterizam. Neste caso, quatro classes sintomatológicas, sendo elas: físicas, quando o indivíduo apresenta fadiga constante, falta de apetite, dores musculares e perturbações do sono [1]; psíquica, que pode ser observada através da falta de atenção, da ansiedade, da frustração e de alterações da memória; comportamental, quando o indivíduo se apresenta negligente no trabalho, com incapacidade para se concentrar, irritabilidade ocasional ou instantânea, aumento das relações conflituosas com os colegas, longas pausas para descanso; e defensiva, quando o indivíduo apresenta tendência para o isolamento, empobrecimento da qualidade do trabalho e atitude cínica. Estes sintomas acabam por acarretar conflitos sociais e familiares, assim como problemas de saúde, levando ao aumento do absentismo.

Jéssica:  Para a prevenção ou tratamento da síndroma de burnout, a primeira medida a ser tomada deve ser a da informação. Palestras educativas alertando sobre as causas e os sintomas permitem que os profissionais envolvidos com a saúde do trabalhador possam adoptar medidas preventivas e adequadas, fazendo com que os trabalhadores possam autoavaliar-se, restabelecendo condições saudáveis de trabalho e, se necessário, procurando ajuda especializada. Além desta procura, que se pode considerar externa ao «eu», é também importante o conhecimento acerca dos diversos meios de adaptação do «eu» a situações adversas, assim como os esforços necessários para lidar com as condições desencadeantes do estresse e do burnout. Estas adaptações são actualmente associadas a mecanismos de coping.

Margarida: Assim, concluímos dizendo que, por vezes, a pessoa não é auto-suficiente para conseguir contornar acontecimentos adversos, causadores de estresse, provocando alterações, não só a nível profissional, mas também a nível físico, psicológico e emocional.

Carlos:  O meu agradecimento à Jéssica e à Margarida pelo excelente trabalho.

Saúde!

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