Por Gustavo Martins-Coelho

O vírus zica tem andado nas notícias praticamente todos os dias, pelo que achei por bem trazer o tema a este espaço.

Começando por um pouco de História, o zica é um vírus, identificado inicialmente no Uganda, em 1947, em macacos. Cinco anos depois, já tinha chega à Tanzânia e aos seres humanos. Actualmente, têm-se registado surtos da doença por vírus zica na América, principalmente Central e do Sul, em África, na Ásia e nas regiões à volta do Oceano Pacífico.

Mas, afinal, o que é a doença por vírus zica? Tem-se falado muito de microcefalia, mas a verdade é que os principais sintomas da doença são os mesmos doutras viroses da mesma família, tais como a dengue: febre, inflamação da pele, conjuntivite, dores musculares e nas articulações, sensação de mal-estar e dores de cabeça. São, portanto, sintomas ligeiros e costumam durar entre dois a sete dias.

Entretanto, recentemente, começou a surgir a suspeita de que o zica pode também provocar alterações neurológicas, mas ainda não é claro se o aumento de casos de microcefalia nos bebés brasileiros em 2015 está mesmo relacionada com a infecção pelo zica durante a gravidez, ou se foi devido a outra causa. Igualmente, permanece em investigação a suspeita de complicações auto-imunes da doença por vírus zica.

A transmissão da doença requer a presença dum mosquito, que transporta o vírus duma pessoa infectada para outra saudável. O mosquito em causa é o mesmo que transmite a dengue, a febre amarela e o chicungunha; e a boa notícia é que desde há muito esse mosquito não existe em Portugal Continental. Foram também relatados casos de transmissão por via sexual e da mãe para o filho durante a gravidez ou ou parto, mas são casos que ainda carecem de estudo, para perceber se se trata dum risco real. Portanto, para já, o que é importante saber que o zica se transmite através do mosquito-da-febre-amarela.

Em termos de tratamento, como a doença é, normalmente, relativamente ligeira, não existe um tratamento específico. A Organização Mundial da Saúde recomenda bastante repouso, muitos líquidos e tomar medicamentos comuns, para acalmar as dores e eliminar a febre.

Também não existe qualquer vacina, pelo que a principal medida de prevenção é a protecção contra a picada do mosquito. Como o mosquito não existe em Portugal Continental, a Direcção-Geral da Saúde recomenda particular atenção aos viajantes que se desloquem para países onde possam ser picados:

  1. Antes do início da viagem, devem marcar uma consulta do viajante e aconselhar-se com o médico.

  2. No país de destino, devem seguir as recomendações das autoridades locais.

  3. A roupa deve ser de cores claras e cobrir o mais possível o corpo: preferir as camisas de manga comprida e usar calças, em detrimento de calções ou saias.

  4. Optar por alojamento com ar condicionado.

  5. Utilizar redes mosquiteiras.

  6. Conhecer o período do dia em que os mosquitos estão mais activos.

  7. Aplicar um repelente de mosquitos aprovado pela Direcção-Geral da Saúde, de acordo com as indicações do médico ou do fabricante.

  8. É igualmente importante esvaziar, limpar e cobrir recipientes que possam conter água, tais como baldes, vasos ou pneus com flores, para eliminar os locais de reprodução dos mosquitos.

No regresso, os viajantes provenientes duma área afectada pelo zica que apresentem, até doze dias após a data de regresso, algum dos sintomas que referi, devem contactar a linha Saúde 24 (808 24 24 24), referindo a viagem recente. Em particular, as mulheres grávidas que tenham permanecido em áreas afectadas, após o regresso, devem consultar o médico de família ou o obstetra e mencionar a viagem. O ideal seria mesmo que as mulheres grávidas não se deslocassem, neste momento, para os países afectados. Mas, não sendo possível, então recomenda-se especial cuidado, um cumprimento rigoroso das recomendações da consulta do viajante e uma consulta no regresso, como já disse.

Em Portugal, até ao momento, foram confirmados quatro casos. Todos eles ocorreram em cidadãos que regressaram do Brasil e todos tiveram um desfecho favorável.

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