Por Gustavo Martins-Coelho [a]

A elite adoptou um discurso autoritário com os fracos, porque é fácil. Exemplos? A Isabel Jonet vai dos bifes ao Facebook, que nem para procurar emprego serve, espalhando a sua visão conservadora dos «bons pobres» da Madame Bovary, cheia de lugares comuns associados a uma visão ideológica redentora e sem qualquer validação científica. O Paulo Portas vergastou os beneficiários do rendimento social de inserção, que recebem €90 por mês, para colmatar a pobreza, servindo o desbaste social, a inveja pública e a legitimação do choque e do pavor. O banqueiro Ulrich disse que os Portugueses aguentam. Logo ele, que não aguentou e estendeu a mão ao Estado. Esta elite cínica é que vive num país irreal, onde fortaleceram uma crescente autoridade simbólica, fazendo com que a maioria dos de baixo apoie as medidas que os prejudicará no seu todo.

O rendimento social de inserção é visto como um subsídio à preguiça. Muitos dos pobres assimilam esta ideia e conhecem alguém que conhece alguém que fura o sistema. Mas quantos são os que furam o sistema: 1 %, 10 %, 100 %? Os desempregados são punidos moralmente, porque «há trabalho, o que não há é empregos», mesmo que empobreçam trabalhando sem direitos. Num país a bater no fundo, os pobres não se acham pobres e incorporam o discurso dominante, aplaudindo os populistas.

Porquê? Porque atacar mais fracos é a forma de, estando no fundo, parecer estar no topo.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original do Tiago Barbosa Ribeiro, publicado na revista «P3» [1].

Advertisements