Por Gustavo Martins-Coelho [a]

No início, a Internet desenvolveu-se livremente do poder económico e político, mas, com o seu crescimento, o poder político tudo quis regular e poder económico quis transformá-la num centro comercial. Os tabletes são como portões de acesso a gigantescos bazares.

O espaço de partilha é hoje um mercado; muita da investigação sobre o futuro da Internet passa pela lógica mercantil. A Internet do futuro promete mais do mesmo: velocidade, conteúdos, dinâmica e aderentes (a Internet serve hoje 2.500 milhões de pessoas, num total de sete mil milhões: ainda tem muito para crescer).

Esse crescimento tem efeitos colaterais: o declínio da credibilidade da política, da televisão, dos jornais em papel, dos livros e da música, e do sistema de ensino.

Assiste-se a um conflito feroz entre controlo e liberdade, entre técnicas de comércio e desejo de partilha. A censura, já presente em muitos países, não afecta só a China, o Irão ou a Coreia do Norte: nas democracias ocidentais, a vigilância, a censura e a repressão estão em crescimento, sob a capa do combate à pornografia, ao terrorismo e da defesa dos direitos de autor. No futuro, o conflito vai radicalizar-se: maior controlo, por um lado, e mais impulso de liberdade, por outro.

Essa batalha entre liberdade e controlo passa pela questão dos protocolos. Há quem se questione se não está na altura de criar uma nova Internet realmente colaborativa e de código aberto. A dificuldade não é técnica, mas de custo.

A Internet ainda é essencialmente uma janela do computador. Mas, com o tempo, deixará de estar associada a um equipamento e estará em toda a parte. No futuro, poderemos aceder a uma miríade de redes, cada uma com um território mental e cultural próprio, mais conforme à natureza irrequieta e diversificada do ser humano. Depois da Internet, virão as Internets.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original do Leonel Moura, publicado no «Jornal de Negócios» [1].

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