Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Apenas uma coisa importa, na relação entre o médico e o seu doente: a forma como o médico trata o doente. O aumento dos custos no sector da saúde não pode ser desculpa para retirar voz e autonomia ao médico.

Os médicos são, globalmente, pessoas bem-intencionadas, que dão o seu melhor, para satisfazer expectativas, muitas vezes, irrealistas, à custa, frequentemente, da vida familiar e pessoal. Mas os burocratas que nada percebem de medicina pretendem impor registos electrónicos, com campos de preenchimento obrigatório que consomem tempo imenso e muito pouco acrescentam, em termos de qualidade da informação. Pretendem impor avaliações de desempenho, que apenas servem para perder tempo. Entretanto, baixam os salários e cortam todo o tipo de compensações.

Os médicos estão cansados de interferências externas na sua prática diária. Nenhuma outra profissão aceitaria este nível de escrutínio e coerção. Os sindicatos operários não o permitiriam. Então, por que continuam os médicos a tratar dos seus doentes, enquanto terceiros persistem em imiscuir-se?

Os médicos podiam mudar o paradigma. Podiam, como grupo, decidir não aceitar mais estas imposições, não ceder permanentemente, não deixar qualquer intruso interferir com a prática da medicina. O que ganharam, até agora, com essa postura? Melhorou a satisfação profissional? Melhorou a qualidade dos cuidados de saúde. Aumentou o poder negocial dos médicos?

Está na hora dos médicos dizerem:

— Chega!


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original do Daniel F. Craviotto Jr., publicado no «Wall Street Journal» [1].

Advertisements