Por Carlos Lima

Vi o jogo da final da Taça de Portugal em voleibol, na Figueira da Foz, e fiquei maravilhado. Vi um jogo muito bem disputado, entre duas grandes equipas, que tudo fizeram para ganhar; e vi gente de todas as idades na bancada, desde bebés a gente muito crescida.

Foi este último aspecto que me trouxe a este comentário, porque não é habitual, nos recintos desportivos, esta diversidade de públicos. Claro que os bebés, em termos de fenómeno desportivo, estavam ali a mais, mas é importante referir que aqueles pais não tiveram medo de levar os seus filhos ao pavilhão — e eu confesso que também não vi mal algum, tirando talvez um momento ou outro, em que o público fez um pouco mais de barulho — mas, ainda assim, alguns dormiram bem tranquilos.

Esta tranquilidade de levar os filhos é rara no fenómeno desportivo, porque as pessoas não querem correr riscos e expor os filhos ao risco de violência e linguagem vernácula, mas era bonito que se pudesse assistir a todas as actividades desportivas desta forma tranquila.

Ainda há pouco tempo, ouvia alguém dizer que foi ver um dos ditos «jogos grandes», com o seu filho de cinco anos. Foi cauteloso no lugar que escolheu, mas só viu um pedaço da primeira parte, porque, em determinada altura, sentiu inseguro o seu filho: desacatos, ainda que longe, fizeram o público daquela bancada afastar-se com alguma precipitação, colocando em risco a segurança da criança. Saiu. Teve pena, mas saiu; não valia a pena correr riscos.

O fenómeno desportivo deve ser uma festa, mas a verdade é que nem sempre é. Basta lembrar a morte dum espectador na final da Taça de Portugal, no Jamor, a 18 de Maio de 1996, por causa de um very-light. Na altura, já era proibido levar esses artefactos para o estádio.

Quem não se lembra da tragédia do estádio de Heysel, na Bélgica, no dia 28 de Maio de 1985, na final da Taça dos Campeões, em que morreram 39 pessoas?

Na Grécia, os campeonatos estiveram suspensos, por violência e mortes nos estádios e à volta deles, em 2014.

Estes são casos da Europa dita civilizada.

No Brasil, morreram nos estádios trinta pessoas, devido a violência, no ano de 2013.

No Egipto, setenta pessoas morreram, em 2012, num confronto entre adeptos.

Podemos dizer que isto são casos extremos, mas não são. No desporto joga-se muita emoção e os agentes desportivos sabem disso. Basta ver as semanas que antecedem os ditos clássicos.

Voltando à maravilhosa final da taça de Portugal de voleibol, foi bonito, houve muita harmonia nos espectadores, apoiaram cada jogada, bateram palmas a cada ponto, bateram palmas às duas equipas. O público apoiou os vencedores e os vencidos. Foi realmente uma festa e isso é bonito. Assim, vale a pena! Gostaria de que fosse sempre assim…

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