Por Gustavo Martins-Coelho

De novo Terça-feira, 9 de Agosto de 2005. Depois de percorrermos os principais pontos de interesse da cidade do Luxemburgo [1], aproveitámos o tempo que restava para comprar presentes para namoradas, amigas e, claro, nós mesmos (não comprámos presentes para as famílias, porque essas já tinham sido servidas previamente). Quando acabámos as compras todas, regressámos à estação e apanhámos o comboio seguinte para Metz, duas horas mais cedo do que o planeado.

Como chegámos a Metz mais cedo do que o esperado, aproveitámos as duas horas que se nos apresentaram para uma breve visita não planeada à cidade. Tentámos — e conseguimos — chegar à Catedral antes da hora de fecho; porém, a visita teve de ser curta, não sendo possível ver o vitral de Chagall, talvez a maior atracção deste monumento. Atravessámos o rio, vimos a Praça da Comédia e o célebre edifício do Teatro-Ópera, que ficava junto ao Conselho Geral. Na travessia inversa, encontramos uma senhora muito prestável, que espontaneamente se ofereceu para nos tirar uma fotografia, desejando-nos continuação de boa viagem. Caminhando junto ao rio Mosela, chegámos ao Jardim Boufflers. Descansámos um pouco, junto à estátua equestre de alguém importante, mas que não sabemos de quem se trata. Sobre a estátua, apenas sabemos que o Guê garante estar anatomicamente errada — e ele deve saber disso, visto que já cursou Anatomia com sucesso. Mais uns passos e estávamos na agradável e florida Esplanada, onde vimos o pôr-do-sol, enquanto jantávamos. Houve ainda tempo para passar junto à Basílica de S. Pedro, por sinal já fechada, e para ver as velhas casas do centro da cidade, com as suas largas e arejadas arcadas e os seus contrafortes.

À saída de Metz, vimos a nossa cama vendida a outros. Pela primeira vez nas nossas vidas, viajámos no vagão-cama do comboio, na ligação entre Metz e Narbona. Encontrámos a carruagem 13 e instalámo-nos nas camas 33 e 34, conforme indicava o bilhete. Passado um bocado, chegou alguém, demandando também as camas 34 e 36. Ora, em cada cama cabe só uma pessoa, não muito alta, de modo qu não achámos bem, por essa limitação de espaço e também por uma questão de decoro, termos de partilhar a cama 34 com outrem. Para resolver o problema, fomos procurar o cobrador, que em França se chama controlador. Percorremos o comboio duma ponta a outra até o encontrarmos e, finalmente, expusemos-lhe a situação. Ele chamou-nos, então, a atenção para o facto de se tratar dum problema temporal e não espacial. Por outras palavras, a cama tinha sido, realmente, reservada duas vezes, só que em dias diferentes. Olhando com atenção para o nosso bilhete, constatámos que a nossa viagem se realizaria dia 14 de Agosto e não no dia em que lá nos encontrávamos. Apesar do engano (a que fomos alheios, diga-se, em abono da verdade), tudo se resolveu a contento — e nós acabámos por ter direito, não a duas camas, mas a um compartimento inteiro só para nós!

Na viagem, o Tê dormiu, como de costume, muito bem, enquanto o Guê foi várias vezes acordado pela trepidação e pelo barulho ferroviários — e por um bando de noctívagos, que não conheciam o prazer do silêncio.

Quarta-feira, 10 de Agosto de 2005. O comboio chegou ao destino com seis minutos de atraso, o suficiente para nos fazer perder a correspondência até Tolosa. Por consequência, tivemos de esperar pelo seguinte, durante uma hora.

Em Tolosa, como não iríamos lá pernoitar, andámos sempre com as mochilas às costas, pois os Franceses vivem apavorados com a ideia de que uma das suas monumentais estações possa ser destruída por um qualquer barbudo com um tapete vestido.

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