Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Os EUA são a terra das oportunidades, mas mais para uns do que para outros. O berço importa: os pais ricos gastam mais tempo e dinheiro com os seus filhos do que os pais pobres. Os pais ricos falam com os seus filhos mais três horas, em média, do que os pais pobres, o que é fundamental para o seu desenvolvimento e os prepara melhor para a escola.

Mas mesmo os miúdos pobres que fazem tudo certo não se saem melhor do que os miúdos ricos que fazem tudo errado. As desigualdades perpetuam-se: nos EUA, os miúdos de famílias ricas que abandonam a escola no secundário apresentam sensivelmente a mesma distribuição na escala de rendimento que os miúdos de famílias pobres que completam um curso universitário. A explicação é simples: os miúdos ricos vão trabalhar para a empresa da família, ou herdam as propriedades dos pais, sem precisarem dum diploma; enquanto os miúdos pobres terminam o curso a dever um empréstimo contraído para pagar propinas e, se forem negros, provavelmente vivem em bairros onde nem sequer existem oportunidades de trabalho para diplomados universitários.

Continuando assim, o sonho americano vai continuar a ser um mero sonho.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original do Matt O’Brien, publicado no jornal «The Washington Post» [1].

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