Por Carlos Lima

No passado dia 10 de Março, comemorou-se o dia mundial do rim, sob o lema: «Doença renal na criança. Agir cedo para prevenir.» [1]. Esta temática tenta chamar à atenção para os problemas relacionados com a degradação que, desde bebés, impomos aos nossos rins e para a importância que os rins têm na saúde do indivíduo [2].

O rim é o órgão responsável por retirar do sangue as substâncias tóxicas produzidas na actividade celular, em particular a ureia. Também tem funções de regulação da quantidade dalguns nutrientes, como é o caso do sódio [3], do cloro [4] (não esquecer que o cloreto de sódio é o sal), do potássio [5], do cálcio [6], o magnésio [7], o bicarbonato, entre outros. Tem ainda acção de produção dalgumas substâncias e hormonas [8], como é o caso da eritropoietina, importante na formação das células do sangue, e da aldosterona, que contribui para a regulação da tensão arterial, através da regulação do sódio e do potássio no filtrado renal.

A doença renal tem causas diferentes na criança e no adulto, ainda que, em ambos os casos, possa aparecer associada à hipertensão arterial, à obesidade e à diabetes. Na criança, a principal causa de problemas renais é congénita. No entanto, uma alimentação demasiado rica em sal e proteínas de cadeia longa [9] pode favorecer o seu aparecimento, devido a uma sobrecarga renal e à dificuldade que o rim tem para livrar deles o filtrado renal.

A doença renal na criança leva ao atraso no crescimento e desenvolvimento, por desnutrição e excesso de substâncias tóxicas no sangue, pelo que a detecção precoce é essencial, para evitar problemas futuros.

Mudar os hábitos das crianças é ajudar a criar adultos mais saudáveis, pelo que reduzir o consumo de sal é fundamental. O que as nossas crianças gostam nas batatas fritas é o seu elevado teor de sal. Se lhes dermos batatas fritas sem sal, elas já gostam menos e gostar menos torna mais fácil reduzir o consumo.

Outro hábito importante é incentivar as crianças a beber água [10] mesmo sem sede [11], porque a água desempenha um papel importantíssimo na função renal. Podemos dizer que beber água é uma atitude amiga do rim.

Sem querer dramatizar, mas não podendo fugir ao assunto, o tratamento dos problemas renais graves são a diálise ou o transplante renal. Um rim que funciona abaixo dos 10 % da sua capacidade é um rim ineficaz nas suas funções. A diálise é uma ajuda, mas mantém a pessoa ligada a uma máquina por um tempo considerável a cada semana e limita muito a vida da pessoa. O transplante renal é uma excelente medida, mas implica riscos elevados de rejeição, além de não existirem rins suficientes para os transplantes necessários.

O ano com mais transplantes em Portugal foi 2009, com 595 transplantes; depois disso, o número foi sempre decrescendo, para em 2014 se realizarem 448 [12]; mas somos dos países europeus com maior actividade na área dos transplantes.

Os nossos rins são órgãos vitais; sem eles, ou sem algo que os substitua, a vida é impossível, pelo que cuidar deles é um dever de todos. Envolver as crianças nesses cuidados é decisivo, para que se criem hábitos de vida saudáveis. Se as crianças forem habituadas a consumir menos sal, a evitar a obesidade e a gerir bem a sua diabetes, é mais de meio caminho andado para que se viva melhor.

Foi este o intuito da Organização Mundial da Saúde [13] ao dedicar o dia mundial do rim à criança: «Agir cedo para prevenir».

Saúde!

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