Por Gustavo Martins-Coelho [a]

430 mil portugueses recebem o salário mínimo nacional. Viver com o salário mínimo obriga a contas apertadas. Às vezes, a renda fica em atraso; a opção, nessas alturas, é entre comer ou pagar a casa. Mesmo quando se vive em bairros camarários, onde a renda é um problema menor, a alimentação permanece um problema. O que sobra das despesas fixas é sempre pouco. Mesmo aproveitando todas as promoções e levando marmita para o trabalho, às vezes, os últimos dias do mês são difíceis. A roupa dos mais velhos que ainda está boa fica para os mais novos. Além disso, há os gastos em luz, água, passe, almoços na escola e o ATL — porque os pais trabalham até tarde. A saúde é mais precária entre os mais pobres e a farmácia é cara. Sair de casa implica gastar sempre algum dinheiro, pelo que é uma miragem. Só os parques e jardins municipais não se pagam. Poupa-se electricidade, ficando o mais possível sem acender a luz, ao fim do dia. Só quem tem o ordenado contado é que consegue ver que faz a diferença.

As crianças estão no centro das angústias dos pais. A solidariedade de associações e de familiares ajuda a sobreviver, mas não há um pé-de-meia para fazer face a emergências. Ter um ordenado e viver em risco de pobreza é uma realidade.

Os maiores níveis de prevalência de salário mínimo na população empregada registam-se na Região Norte. Há maior percentagem de pessoas a receber o salário mínimo na restauração e hotelaria (17,5 %).


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original da Ana Isabel Pereira, publicado no jornal «Sol» [1].

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