Por Gustavo Martins-Coelho [a]

O Syriza até podia não ter uma solução para a Grécia, até podia estar a fazer bluff, até podia não pagar o que deve. Mas, depois da sua capitulação, o resultado é o PIB demorar previsivelmente treze anos a regressar ao nível de antes da crise, o desemprego estar nos 27 % (com 75 % dos desempregados nessa situação há mais dum ano) e as exportações serem arrasadas pela força do euro.

A chantagem alemã e europeia a reboque é grave. Aos líderes europeus não interessa a democracia (como se nota na forma como elegemos as instituições europeias), mas a teocracia da austeridade — que passou de opção económica a questão de fé — e, como sabemos, pela fé se mata e se morre.

Deixem o Syriza em paz. Que a Europa lide com ele, sem se refugiar na unanimidade imposta pelo mais forte. São necessárias vozes que se oponham ao proselitismo vigente, que castiga os Gregos (e, em menor grau, os Portugueses, os Irlandeses, os Espanhóis e os Italianos) e ameaça afundar a Europa.

Em vários países, partidos com os quais temos vergonha de nos identificar ganham cada vez maior apoio. Também por isso, talvez seja o Syriza a salvar-nos a todos.


Nota:

a: Este artigo é um resumo do texto original do Paulo Chitas, publicado na revista «Visão» [1].

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