Por Satoshi Kanazawa [a]

A psicologia positiva está na moda, hoje em dia, e toda a gente quer a chave secreta da felicidade. Veja-se lá isto: toda a gente quer ser feliz! O que pode a psicologia evolutiva dizer sobre como ser feliz?

Como de costume, sinto-me obrigado a começar com o aviso de que, como cientista — e enquanto fundamentalista científico —, eu não me dedico a dar conselhos às pessoas e a dizer-lhes como viver a sua vida. Esse é o trabalho de conselheiros e terapeutas e estes dois tipos de psicólogos são completamente diferentes. Eu sou um cientista, não um médico. Enquanto cientista, pouco me importa se as pessoas estão felizes ou não. Eu só quero é saber porquê.

Dito isto, no entanto, da minha perspectiva enquanto psicólogo evolutivo, eu diria que a melhor coisa que as pessoas têm a fazer, para se tornarem mais felizes, é entrarem em contacto com sua natureza animal, se não com o peixe dentro de si [2], pelo menos com o seu macaco [3]. Reconhecer e aceitar que somos animais. Fomos todos desenhados pela evolução para sermos de certa maneira e nenhuma quantidade de negação ou luta vai mudar o nosso legado evolutivo e as suas implicações.

Uma das coisas que a evolução fez foi tornar os homens e as mulheres muito diferentes. Nalguns aspectos (embora não noutros), os machos duma espécie são muitas vezes mais parecidos com os machos doutras espécies, do que com as fêmeas da sua própria espécie; e vice-versa. De certa forma — de muitas formas —, os homens são mais parecidos com os chimpanzés machos ou os gorilas, do que com as mulheres. Uma das diferenças entre homens e mulheres está no que os torna felizes.

Esqueça o que as feministas, os hippies e os liberais lhe disseram no último meio século. É tudo mentiras, com base em ideologia política e convicção e não na ciência. Ao contrário do que eles lhe possam ter dito, é muito improvável que o dinheiro, as promoções, o escritório mais bonito, o estatuto social e o poder político sejam capazes de fazer as mulheres felizes. Da mesma forma, é muito improvável que deixar o trabalho, abandonar a «corrida do rato» e tornar-se pais domésticos, para passar todo o tempo com os filhos, vá tornar os homens felizes.

O dinheiro, as promoções, o escritório mais bonito, o estatuto social e o poder político fazem os homens felizes (contanto que eles ganham, é claro, mas o abandono é, por definição, uma derrota). Passar o tempo com os filhos faz as mulheres felizes. Como a Danielle Crittenden argumenta muito eloquentemente no seu livro: «What our mothers didn’t tell us: why happiness eludes the modern woman» [O que as nossas mães não nos disseram: como a felicidade foge à mulher moderna] [4], é muito pouco provável que as mulheres consigam ser verdadeiramente felizes sem terem filhos, mas, como a Danielle Crittenden aponta, existem formas de combinar a carreira com a maternidade. Não são é as maneiras que as feministas nos disseram.

Mais recentemente, a excelente «curtíssima metragem» do Gretchen Rubin — «The years are short» [Os anos são curtos] — captura esta realidade perfeitamente. É um filme fantástico, que eu recomendo vivamente a todos. Eu choro cada vez que o vejo.

Os homens e as mulheres são muito diferentes, porque foram moldados ao longo de milhões de anos de evolução, de forma a serem muito diferentes. As mulheres não podem ser felizes fingindo ser homens e os homens não podem ser felizes fingindo ser mulheres. Os Suecos já tentaram isso e falharam notavelmente, em toda a linha.

O que pode a psicologia evolutiva dizer-nos sobre o que nós, como sociedade, podemos fazer para não repetir o erro sueco e tornar os nossos cidadãos felizes? A melhor coisa a fazer é matar todos os feministas e hippies e liberais. Destruir o politicamente correto completamente, duma vez por todas. Ensinar aos meninos e às meninas que eles são diferentes e que não tem mal (na verdade, é maravilhoso) ser diferente. Um não está certo e o outro não está errado. Parar de dizer às meninas que elas são versões inferiores dos meninos, como as feministas fizeram no último meio século, ou, como tem sido mais recentemente o caso, parar de dizer aos meninos que eles são versões inferiores das meninas.

Viva como quiser, não como achar que deve viver. Os seus sentimentos raramente estão errados, porque o leitor foi desenhado para se sentir de certa maneira por milhões de anos de evolução. Décadas de feminismo não podem parar isso. O leitor raramente se enganará, se seguir os seus sentimentos; mas raramente acertará, se seguir o feminismo ou qualquer outra ideologia política.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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