Por Carlos Lima

No dia 27 de Março, comemorou-se o dia nacional do dador de sangue, sob o lema: «dar sangue… tem de estar na moda» [1]. Instituído em 1986, visa agradecer a dádiva benévola de sangue e ajudar as pessoas a compreender o valor social do seu gesto altruísta. O sangue recolhido permite salvar muitas vidas e ajudar muitas pessoas a ter uma qualidade de vida muito melhor do que aquela que teriam sem receberem sangue ou os seus derivados.

Todas as pessoas saudáveis com idades compreendidas entre os 18 e 65 anos e peso superior a 50 kg podem dar sangue.

Em 2013, foram colhidas em Portugal 362 mil unidades de sangue. O sangue recolhido é depois dividido em diversos componentes: plasma, plaquetas e glóbulos vermelhos. Dentro desta divisão, o plasma ainda sofre mais divisões ou separações, como é o caso da albumina (que é uma proteína importante para pessoas que não a conseguem sintetizar, ao nível do fígado), imunoglobulinas (como é o caso das grávidas com grupo sanguíneo Rh negativo), factores de coagulação (administrados a pessoas portadoras de hemofilia, entre outras das doenças da coagulação), etc.

Em Portugal, foram administradas 72 mil doses de plasma, em 2014; foram inferiores aos anos anteriores. Para se perceber a dimensão do que estamos a falar, o Estado português gastou em 2013, só com plasma e seus derivados importados, perto de 40 milhões de euros [2]. O aproveitamento do plasma recolhido vai assim permitir uma poupança significativa e promover o aproveitamento da generosidade da população portuguesa e dos dadores de sangue, que viam no desperdício do plasma doado uma tremenda injustiça.

A qualidade do sangue colhido é assegurada pela protecção que é oferecida aos dadores, garantindo que estes reúnem as melhores condições para essa dádiva e pelos testes que vão ser efectuados ao sangue. A qualidade do sangue e dos derivados administrados é assegurada por um circuito bem montado, com um conjunto alargado de testes e uma cautela na rotulagem, garantindo que o sangue e seus derivados chegam às pessoas que realmente deles precisam nas condições ideais e com a qualidade máxima [3].

O dador de sangue presta um serviço com grande valor cívico e social, pelo que a sociedade, através do estatuto do dador de sangue, retribui, permitindo ao dador ter acesso a um conjunto de direitos e garantias, dentro do Serviço Nacional de Saúde [4].

Dar sangue é um gesto cívico e altruísta, permite salvar muitas vidas e ajudar muitas pessoas. Se se encontra nas condições de saúde que lhe permitam fazer esse gesto de grande valor, então força; lembre-se de que — dar sangue… continua na moda!

Saúde!

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