Por Jarrett Walker [a]

As paragens de autocarro podem ser bastante básicas, ou muito elaboradas. O Aaron Antrim [2] chamou-me a atenção para um projecto do Utá, o «Next stop design» [3], que recolheu ideias para o desenho de paragens de autocarro pelo público, permitindo aos visitantes avaliá-las. Um tal projecto a uma escala suficientemente grande poderia começar a gerar algum conhecimento sobre de que tipos de paragens de autocarro as pessoas gostam.

É um sítio divertido, mas levanta duas questões.

Em primeiro lugar, todos nós vamos, naturalmente, gostar das paragens mais caras. Algumas das preferidas são tão elaboradas, que só podemos usá-las em paragens de grande movimento. Como podemos classificar as ideias em níveis que representem o custo aproximado, de modo que possamos colocar a multidão de visitantes a trabalhar no problema real: como desenhar algo que seja suficientemente barato para comprar aos milhares?

Em segundo lugar, por vezes, o desenho duma paragem de autocarro deve ser impulsionado pela necessidade de marcar o serviço. As paragens do Los Angeles Metro Rapid [4], desenhadas a partir dum conceito do meu amigo Doug Suisman, [5] procuram criar uma aparência consistente em todo o sistema, para que estes autocarros vermelhos de elevada frequência e relativamente rápidos se destaquem dentre todo o pandemónio visual de Los Angeles. O objectivo não era fazer com que cada paragem se destacasse, como os favoritos do «Next stop design» tendem a fazer, mas sim fazer com que todo o sistema se destacasse como um único sistema.

Um exemplo mais humilde é esta paragem da «Linha Azul», uma consequência dum projecto que eu fiz em Bellingham, Washington. Eles tinham muitas linhas pouco frequentes, que se sobrepunham num pequeno número de grandes segmentos e, nesses segmentos, essas linhas somavam-se, resultando num serviço frequente durante todo o dia. Então, eles criaram uma marca apenas para o segmento comum, para que pudéssemos tornar esse serviço visível como algo melhor do que todas as linhas individuais numeradas que contribuem para ele. O desenho da paragem é bastante básico, mas uma arquitectura excessivamente chamativa teria distraído a atenção da mensagem sobre o serviço.

E, no fim de contas, a mensagem tem de ser sobre o serviço.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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