Nota do editor: este artigo é um resumo do texto original da Carla Prino, publicado na revista «P3» [1].

Há um ano e meio, ouvia-se falar de mortes nas urgências, enquanto o Ministério da Saúde negava que os cortes orçamentais e o encerramento de unidades de saúde e de urgências tivesse algo que ver. Há falta de profissionais de saúde, porque não os contratam, preferindo deixá-los emigrar, ou torná-los precários. Os hospitais públicos têm de recorrer a serviços privados em alturas de maior afluência, em vez de se investir no melhoramento dos serviços públicos, com o dinheiro que se paga aos privados.

Um serviço de saúde não é o mesmo que um carro: não são precisas mil ofertas; basta uma, que satisfaça as necessidades de todos. O SNS é um instrumento colectivo de solidariedade social, para o qual todos deveriam contribuir na medida das suas possibilidade e receber na medida das suas necessidades. Mas a aposta é no negócio dos seguros de saúde. Os próprios empregadores embarcaram em oferecer seguros de saúde, enquanto condição laboral, quando deviam era pagar o valor do seguro a quem trabalha e deixar a pessoa usufruir do serviço público de saúde, para o qual paga impostos — porque, em caso de desemprego, ou quando a reforma chegar, não há seguro de saúde que valha. Enquanto isso, o SNS degrada o serviço e aumenta os impostos e as taxas, tornando os seguros de saúde mais atractivos. Quem não tiver seguro, que se desenrasque!

Ao continuarmos a ignorar o SNS, caminhamos para a privatização da saúde. É isso que queremos?

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