Nota do editor: este artigo é um resumo do texto original publicado na revista «The economist» [1].

Os rapazes estão a deixar-se ultrapassar pelas raparigas.

Até aos anos sessenta do século XX, os rapazes estudavam durante mais anos do que as raparigas e tinham maior probabilidade de terminar a universidade. Hoje em dia, no mundo desenvolvido, a balança pendeu para o outro lado, excepto na Matemática; nas ciências, estão mais ou menos empatados e nas letras elas levam um avanço telescópico. Globalmente, em todos os países da OCDE, as raparigas obtêm melhores resultados do que os rapazes, o equivalente a mais um ano de escolaridade.

As razões são variadas. Em casa, as raparigas estudam mais uma hora, por semana, em média, do que os rapazes. Três quartos das raparigas lêem, contra metade dos rapazes. Na sala de aula, os rapazes chegam mais vezes atrasados e tendem a achar a escola «uma perda de tempo» — muito mais do que as raparigas. O seu mau comportamento leva-os a serem avaliados com mais severidade pelos professores (um estudo da OCDE demonstrou que os resultados obtidos pelos rapazes em testes anónimos são superiores àqueles obtidos em testes identificados). Além disso, tal como os patrões do sexo masculino tendem, mesmo que inconscientemente, a privilegiar os trabalhadores do mesmo sexo, talvez as professoras — que compõem a maioria do corpo docente — tendam a privilegiar as raparigas.

O domínio das raparigas prossegue para a universidade. Na OCDE, as mulheres representam 56 % dos estudantes universitários e obtêm mais sucesso. Os homens preferem estudar ciências exactas, informática e engenharia, enquanto as mulheres dominam nas ciências da vida, nas ciências sociais e nas humanidades. Como as primeiras pagam melhor, no mercado de trabalho, os homens continuam a ganhar mais do que as mulheres. Mas esse não parece ser o principal motivo, que leva as mulheres a estudarem.

A pílula, o declínio no número de filhos e o casamento e a maternidade mais tardios permitiram às mulheres ingressar no mercado de trabalho, levando a uma redução da discriminação. O aumento dos divórcios demonstrou a importância de ser capaz de se sustentar. Mas, por outro lado, o aumento do número de mulheres em posições de topo significará uma inversão do padrão tradicional de casamento: as mulheres casavam com homens do mesmo estatuto socioeconómico, ou superior; mas terão de começar a casar com homens de estatuto socioeconómico inferior, ou a não casar de todo.

Contudo, nas posições de topo, os homens continuam a dominar. Além disso, os homens continuam a predominar, nas profissões que requerem muitas horas de trabalho e disponibilidade permanente. As mulheres optam por carreiras, que não sejam incompatíveis com a maternidade.

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