Nota do editor: este artigo é um resumo do texto original do Jay Cassano, publicado na revista «Fast Company» [1].

A maioria das pessoas busca a felicidade; e, embora saibamos que o dinheiro, depois de ajudar a satisfazer as necessidades básicas, em pouco contribui para a mesma, podemos procurar gastá-lo da forma que maximize a nossa felicidade.

O senso comum diz que será preferível gastar o dinheiro em coisas que durem muito tempo, do que em eventos que acabam rapidamente. No entanto, a ciência diz o contrário. Assim que nos habituamos à presença dos objectos que comprámos, eles deixam de nos fazer felizes. Por seu turno, as experiências que vivemos tornam-nos cada vez mais felizes, com a passagem do tempo.

Embora vá contra a lógica, a explicação é simples: a presença permanente do objecto torna-o parte do ambiente normal, enquanto a experiência vivida se torna parte da nossa identidade. Por muito ligados que possamos sentir-nos a um objecto, ele tem uma existência independente de nós, enquanto a experiência que vivemos é, realmente, parte de nós. Até as experiências negativas podem tornar-se histórias engraçadas, para contar aos amigos, ou aprendizagens valiosas.

Além disso, as experiências partilhadas ligam-nos mais às outras pessoas do que o consumo em conjunto. É muito mais provável criarmos laços com alguém, com quem passámos férias juntos, do que com alguém que tem o mesmo modelo de televisão que nós. E, mesmo que não tenhamos vivido uma determinada experiência com determinada pessoa, é muito mais provável identificarmo-nos com alguém que também escalou o mesmo monte que nós, do que com alguém que tem um fato de treino igual ao nosso.

Outra razão prende-se com o facto de ser muito mais difícil comparar experiências, do que bens materiais, gerando menos frustração, quando o vizinho faz férias num hotel melhor, do que quando ele tem um carro melhor do que o nosso.

Estes dados são o resultado de diversos estudos científicos e têm implicações na maximização da felicidade, quer em termos individuais, como em termos políticos e do trabalho. As sociedades devem modificar os investimentos que fazem, de forma a proporcionar a uma grande parte da população o usufruto de experiências que lhes trarão maior felicidade: não só os indivíduos devem modificar a forma como gastam o seu dinheiro, mas também as empresas devem apostar mais em férias pagas e outras actividades para os trabalhadores, em detrimento do carro e do telemóvel, e os governos devem apostar mais no financiamento das actividades culturais e dos espaços de lazer, em detrimento dos investimentos em infraestruturas.

Deveria ser mais fácil viver experiências que nos façam felizes.

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