Por Carlos Lima

Com a chegada da Primavera, as árvores e as plantas libertam pólen, os insectos ficam mais activos e as pessoas gostam de andar ao ar livre. Para muita gente, isto não representa qualquer tipo de problema, mas, para quem é sensível e desencadeia reacções alérgicas com facilidade, isto requer alguns cuidados.

As alergias são uma reacção exagerada do sistema imunitário à presença de substâncias entendidas como nocivas ou agressivas, chamadas, em Medicina, de antigénio. A sensibilização do nosso organismo leva à produção de defesas rápidas, chamadas de anticorpo [1]. Daí as reacções alérgicas ocorrerem muito rapidamente, quando da exposição ao antigénio.

Uma reacção alérgica pode variar nas suas manifestações, dependendo muito de pessoa para pessoa. Pode apresentar manifestações simples, como é o caso dos espirros, da tosse, do corrimento nasal (ou nariz a pingar), da comichão, do cansaço, entre outras. Nas situações mais graves, pode aparecer dificuldade em respirar e, no caso das reacções anafilácticas, levar mesmo a risco de vida, se não forem tratadas rapidamente.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica [2], existem plantas e árvores que produzem pólenes com elevada capacidade de desencadear reacções alérgicas, como é o caso da alfavaca-de-cobra, da bétula, das gramíneas e da oliveira, e existem outras em que a alergenicidade é moderada ou baixa, mas que o facto de serem pólenes muito abundantes na natureza torna o risco é significativo. Entram neste lote o carvalho, o pinheiro, o eucalipto, o castanheiro, a urtiga, o cipreste e o funcho.

Este tipo de alergias é incomodativo, leva muita gente a faltar ao trabalho e a evitar saídas à rua. A desvalorização que se dá às primeiras manifestações, como se não tivessem importância, condiciona muito o que é possível fazer mais tarde. A ideia enraizada de que as alergias passam com a idade tem algum fundamento, mas não é de todo verdade. A lógica é que a exposição ao longo do tempo habitua o organismo, quando o que acontece muitas vezes é uma maior sensibilização e reacções mais graves.

O sítio da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica [2] disponibiliza um conjunto de informações úteis, entre as quais o boletim polínico, que permite que a pessoa se informe dos dias, das zonas do país mais afectadas e mesmo das horas em que os pólenes estão mais activos, permitindo tomar algumas precauções e desenvolver uma vida perfeitamente normal.

Há que ter atenção alguns factores, tais como:

  • A exposição ao meio ambiente — as primeiras horas da manhã são as mais problemáticas, principalmente se houver vento, calor e pouca humidade;
  • Lavar muito bem as mãos e os alimentos, a roupa e o cabelo, porque podem apresentar pólenes nas suas superfícies;
  • O exercício físico deve ser devidamente planeado, para evitar as alturas de maior risco; e, nas fases críticas do ano, preferir desportos de interior, principalmente piscinas;
  • Ter muita atenção à higiene dos ambientes, arejar bem a casa, mas evitar fazê-lo pela manhã, quando a actividade polínica é mais intensa. Aspirar a casa e a cama com aspirador com filtros adequados. Se o ambiente possuir ar condicionado, garantir uma boa limpeza dos filtros e usar filtro de partículas. A roupa deve ser lavada e seca em ambiente protegido, para não acumular partículas alergénicas.

Uma recomendação fundamental é evitar fumar, se possui algum tipo de alergia, ou fumar junto de quem as tem. O fumo do cigarro é um desencadeante muito activo e contribui para muitas crises alérgicas.

Para finalizar por hoje, mas prometendo voltar ao tema, queria apenas dizer que a maior parte das flores não libertam pólen no ambiente, dado que a sua polinização é feita pelos insectos. Os pólenes que nos afectam surgem das árvores e das plantas que usam o vento para fazer a polinização, entrando em contacto com as roupas, os alimentos, o ar que respiramos, etc.

Valorize a sua alergia e procure ajuda técnica, pode prevenir muitas complicações.

Saúde!

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