Nota do editor: este artigo é um resumo do texto original do Slavoj Žižek, publicado na revista «New Statesman» [1].

Muitos dos críticos do referendo grego acusaram-nos de não passar de demagogia, de ser sobre o euro ou sobre a permanência da Grécia da UE, e transformaram a sua questão política chave numa decisão administrativa sobre medidas económicas particulares.

O referendo era uma escolha entre a política europeia de «estender e fingir» [2] e uma nova política realista, que permitisse desenvolver um plano concreto de recuperação da economia grega. Sem tal plano, a crise continuaria o seu ciclo vicioso. O «não» foi, portanto, mais do que a simples escolha entre duas abordagens à crise e, acima de tudo, foi a resposta heróica dum povo pressionado nos seus instintos mais básicos, manipulado entre o sim e o não ao euro e à União Europeia. Foi um «não» aos eurocratas que não conseguem mobilizar a Europa. Foi um «não» ao estado de coisas. Foi um «não» aos clichés racistas sobre os Gregos preguiçosos. Foi um «sim» à tomada de consciência da crise na Europa, à visão política e a um novo recomeço.

A União Europeia fez ouvidos de mercador ao «não» grego, manteve a sua inércia arrogante e cheia de si, apagou o sinal de esperança do povo grego e fez descer a sua ira contra os hereges que ousaram questionar o seu sonho dogmático.

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