Nota do editor: este artigo é um resumo do texto original do Steven Rattner, publicado no jornal «The New York Times» [1].

Independentemente de termos uma opinião positiva ou negativa a respeito da geração do milénio, um facto é que o seu bem-estar económico e as suas perspectivas de futuro não são brilhantes. A geração mais qualificada de sempre é menos próspera, pelo menos financeiramente, do que as que antecederam: a economia não cresce, o desemprego é alto, os salários não aumentam e, nalguns países, os empréstimos contraídos durante a faculdade limitam a sua capacidade de manter um nível de vida razoável e de poupar para o futuro; acrescido das dificuldades que se prevêem para a segurança social cumprir a promessa de lhes devolver uma reforma condigna.

Nos EUA, os jovens entre os 18 e os 34 anos, apesar dos diplomas universitários em barda, ganham hoje, em média, $ 33.883 (a preços de 2013), menos 9,3 % do que no início da década e o valor mais baixo desde 1980. Mas são só os jovens: globalmente, os salários, nos EUA, mantiveram-se no mesmo nível entre 2000 e 2011.

A maior culpada é a crise: entrar no mercado de trabalho em tempos de vacas magras significa um salário menor, que muitas vezes nunca vem a aproximar-se dos salários dos tempos das vacas gordas.

Entretanto, a globalização fez diminuir a procura por empregados com qualificações intermédias, pelo que os jovens sem diploma universitário viram os seus salários ainda mais reduzidos.

A poupança da geração do milénio está ainda pior: nos EUA, o seu valor era de apenas $ 10.400 em 2013, 43 % menos do que os $ 18.200 da geração X em 1995, quando tinham a mesma idade que os do milénio têm agora: com a redução dos salários, a geração do milénio não só não poupa, como ainda vai esvaziar as reservas que os pais lhes deixaram. Com medo da crise, os jovens mantêm mais de metade do seu dinheiro em contas à ordem — o que é uma péssima estratégia de longo prazo.

No caso dos jovens americanos, há ainda o problema dos empréstimos contraídos para pagar propinas. Este ano, os novos licenciados deviam, em média, $ 35.051, cerca do dobro do que deviam os licenciados de há duas décadas (ajustado para a inflação). Falando em inflação, desde 1993, os preços subiram 63 %, nos EUA, mas as propinas universitárias subiram 234 %…

Com dívidas altas e salários baixos, os jovens adiam a compra de carro e casa, mesmo com taxas de juro baixas. Nos EUA, este ano, apenas 34,8 % dos habitantes com menos de 35 tinha casa própria, contra 43,6 % em 2004. Em parte, será por mudanças culturais. Mas não se pode negar o papel das dificuldades financeiras, que também conduz ao adiamento do casamento e da decisão de ter filhos.

Entretanto, a dívida pública sobe, ameaçando a sustentabilidade da segurança social e provocando o aumento dos impostos. A geração do milénio já se apercebeu disso: nos EUA, já só 45 % dos jovens acreditam que vai receber uma reforma, quando atingir a velhice.

Não é possível retirar todos os obstáculos financeiros que os jovens enfrentam, mas é possível ajudá-los, com políticas públicas capazes de porem a economia a crescer, investindo na educação, nas infraestruturas e na investigação e reduzindo as pensões de reforma pagas aos mais ricos.

Mas, pelo menos, vamos assumir que existe um problema e que a vida não está fácil para a geração do milénio.

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