Por Satoshi Kanazawa [a]

Conforme expliquei no artigo anterior [2], a discriminação por parte do empregador (ou qualquer outro factor externo) usada como explicação da razão pela qual os homens ganham mais dinheiro do que as mulheres pressupõe que os homens e as mulheres são, em geral, idênticos a nível das suas preferências, dos seus valores, dos seus desejos e dos seus temperamentos. Mas homens e mulheres são inerente e fundamentalmente diferentes.

O investigador Kingsley R. Browne tem sido pioneiro no trabalho, no âmbito da psicologia evolutiva, sobre as diferenças de sexo no local de trabalho, tais como os salários e a segregação profissional por sexo. Esse investigador aponta que, por causa das pressões selectivas diferentes que cada sexo enfrentou ao longo da história evolutiva, homens e mulheres evoluíram para possuir temperamentos diferentes. Ao longo da história evolutiva, o estatuto elevado era o meio essencial do homem para o sucesso reprodutivo, porque as mulheres preferiam acasalar com homens de recursos e alto estatuto, os quais poderiam mais facilmente proteger e investir nos filhos. Por seu turno, cuidar fisicamente das crianças era o principal meio duma mulher para o sucesso reprodutivo. Por conseguinte, as mulheres de hoje, que herdaram seus mecanismos psicológicos das suas ancestrais, são muito menos propensas ao risco (porque, se as suas antepassadas se envolvessem em comportamentos de risco e ficassem feridas ou morressem como resultado disso, os seus filhos provavelmente morreriam também), menos preocupadas com o seu próprio estatuto (porque o estatuto não aumentou o sucesso reprodutivo das mulheres) e menos agressivas e competitivas (porque, ao longo da história evolutiva, os homens competiam pelo acesso às mulheres e não o contrário).

No seu livro «Biology at work: rethinking sexual equality» [A biologia a funcionar: repensando a igualdade sexual] [3], o investigador Kingsley R. Browne sugere que os homens são muito mais dedicados a ganhar dinheiro e a alcançar um estatuto mais elevado do que as mulheres. Um estudo duma amostra americana demonstrou que os homens são significativamente mais propensos a classificar o rendimento como um critério importante para seleccionar um trabalho do que as mulheres. A diferença absoluta entre os sexos é maior entre os adolescentes do que entre os trabalhadores mais velhos, de modo que a diferença entre os sexos na importância do rendimento não é causada pela resposta realista das mulheres à experiência duma vida a ganhar menos do que os homens, como argumentam as feministas e outros cientistas sociais tradicionais. Pelo contrário, as mulheres colocam significativamente maior ênfase no critério «o trabalho é importante e me dá um sentimento de realização», para a selecção de um emprego. Como a Anne Moir e o David Jessel, autores do «Brain sex: the real difference between men and women» [O sexo do cérebro: a verdadeira diferença entre homens e mulheres] [4], afirmam: «no fim de contas, o segredo da realização masculina no mundo do trabalho provavelmente reside na relativa insensibilidade masculina ao mundo de tudo o resto — e de todos os outros.»

O Kingsley R. Browne lembra-nos que muitos postos de trabalho que pagam salários mais elevados exigem que os seus ocupantes trabalhem mais horas, se mudem para novas cidades sem se preocuparem com as consequências para a família e as crianças (para empregos de nível superior ou liberais) ou trabalhem em condições perigosas e desagradáveis (para os empregos braçais). Não é que as mulheres não queiram dinheiro ou prefiram ganhar menos dinheiro; ninguém no seu perfeito juízo faria tal opção. A questão é que as mulheres não estão dispostas a pagar o preço e fazer os sacrifícios necessários (muitas vezes em termos do bem-estar dos filhos) para subir na hierarquia empresarial, ou ganhar mais dinheiro. Mais uma vez, Moir e Jessel explicam melhor: «os homens que falham dão frequentemente a desculpa de que ‘o sucesso não vale o esforço.’ Para a mente feminina, isso não é tanto uma desculpa, mas uma verdade evidente.» Por outras palavras, os homens ganham mais dinheiro porque querem; as mulheres ganham menos dinheiro, porque têm coisas melhores para fazer do que ganhar dinheiro.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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