Nota do editor: este artigo é um resumo do texto original do Dylan Matthews, publicado na revista «Vox» [1].

Como poderíamos certificar-nos de que todas as oportunidades são iguais?

Mesmo que a igualdade de oportunidades fosse possível e desejável, não somos capazes de medir se estamos a caminhar para lá.

Os proponentes da igualdade de oportunidades adoram falar de mobilidade social. Os números são desoladores, decerto, mas também inúteis: nada nos dizem, a respeito do caminho para a igualdade de oportunidades, porque uma sociedade com mobilidade social perfeita não seria necessariamente perfeita em termos de igualdade de oportunidades.

A mobilidade social é estimada através da elasticidade intergeracional de rendimento, que mede a correlação entre o rendimento dos pais e dos filhos. Um valor de zero significa que os filhos têm igual probabilidade de atingir qualquer nível da escala de rendimentos, independentemente dos rendimentos dos pais. O objectivo seria, portanto, reduzir a elasticidade intergeracional de rendimento. Mas a elasticidade varia igualmente se os filhos de pobres ficarem ricos ou os filhos de ricos ficarem pobres. Ora, nós não queremos tornar a vida dos ricos mais difícil, queremos é tornar a vida dos pobres mais fácil.

Uma outra medida de mobilidade social é a probabilidade de que uma criança nascida entre os 20 % mais pobres da população tem de chegar aos 20  mais ricos. Mas esta medida pode produzir o mesmo resultado se os pobres enriquecerem, ou se os ricos empobrecerem. A primeira é uma boa perspectiva, mas a segunda não.

Além disso, estas duas medidas podem indicar muito pouca mobilidade social e, no entanto, haver um perfeito modelo de igualdade de oportunidades; simplesmente, os pobres não estão a aproveitar as oportunidades que lhes são dadas.

A melhor tentativa de medir a igualdade de oportunidades é a identificação dessas mesmas oportunidades. Saber ler e escrever é uma oportunidade; quem não sabe fica excluído duma grande parte do mercado de trabalho. Ter um curso superior é uma oportunidade. O acesso a uma ordem profissional é uma oportunidade. Vamos aumentar estas oportunidades, ou facilitar-lhes o acesso, e estaremos mais perto da igualdade de oportunidades. Mas mesmo esta tentativa falha, devido à diversidade de oportunidades. Saber tocar violino é uma oportunidade, para quem tenha por objectivo entrar para uma orquestra sinfónica, mas não para todas as outras pessoas. Inevitavelmente, sempre haverá um desencontro entre as oportunidades desejadas e as disponíveis.

Além disso, a ideia de que facilitar o acesso ou aumentar o número de oportunidades é positivo não é totalmente correcta. A igualdade não tem que ver com o número de oportunidades, tem que ver com as consequências dessas oportunidades.

Após a igualdade de oportunidades

Em vez de tentar medir a igualdade de oportunidades, deveríamos medir o crescimento do rendimento das pessoas, a igualdade desse rendimento, a diminuição da pobreza, o aumento da esperança de vida, a aprendizagem das crianças, quantos anos de escolaridade elas recebem, o número de sem-abrigo, quantas doenças físicas e psíquicas ficam por tratar.

Estas medidas são resultados — aquilo de que os adeptos da igualdade de oportunidades se demarcam. Adoptando-as, ganhamos objectivos a atingir e uma base para medir o sucesso das nossas políticas. Rejeitando-as, ficamos com uma distracção conceptual. Quanto mais cedo deixarmos de falar de mobilidade e oportunidade e começarmos a falar de pobreza e sofrimento, mas rapidamente resolveremos estes problemas.

A igualdade de oportunidades não é um objectivo. O objectivo é uma boa vida para todos. Não deveríamos aceitar menos que isso.

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