Nota do editor: este artigo é um resumo do texto original do Nelson Marques, publicado no jornal «Expresso» [1].

1. Há um combatente do Estado Islâmico entre os refugiados

Circularam nas redes sociais duas fotos, alegadamente dum antigo combatente do Estado Islâmico descoberto num grupo de refugiados na fronteira entre a Grécia e a Macedónia. Na verdade, o homem em causa é um antigo comandante do Exército de Libertação da Síria, que combate as forças do Estado Islâmico.

A possibilidade de existirem militantes do Estado Islâmico entre os refugiados sírios foi levantada pelo presidente a agência de cooperação judicial da União Europeia e por um conselheiro líbio (ou traficante de armas [2]), mas é negada por várias organizações com conhecimento de causa [3] e pelo próprio alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados [4]. O bom senso diz que os movimentos terroristas e de combatentes não se fazem metendo-se em barcos que podem afundar-se.

O movimento faz-se sobretudo em sentido inverso. Cerca de três mil combatentes europeus juntaram-se às fileiras do Estado Islâmico.

2. Recusam comida da Cruz Vermelha, por causa da cruz

Um vídeo amplamente difundido nas redes sociais mostra refugiados junto à fronteira da Macedónia com a Grécia a protestar e a recusar pacotes marcados com o logo da Cruz Vermelha. O que o vídeo não explica é que os imigrantes recusaram a ajuda em protesto por se encontrarem há três dias na fronteira, há duas horas debaixo de chuva forte e não poderem entrar na Macedónia. A polícia macedónia apenas autorizava a passagem de 200 a 300 refugiados a cada duas horas, porque era essa a capacidade do comboio que os levaria até à fronteira com a Sérvia.

3. Dizem-se pobres, mas pagam milhares aos contrabandistas…

A maioria dos refugiados não foge da pobreza, mas da guerra e da morte [5]. Não é preciso ser pobre para temer o Estado Islâmico e as bombas do presidente Bashar al-Assad. Muitos dos refugiados são de classe média, com educação universitária e falam Inglês.

4. … e têm smartphones

A Síria não é um país rico, mas também não é dos mais pobres. Em 2014, havia no país cerca 87 telemóveis por cada cem habitantes. Muitos smartphones com sistema Android custam menos de cem euros e iPhones de segunda geração podem ser adquiridos por bem menos.

5. Querem invadir a Europa

Os refugiados sírios às portas da Europa são apenas 2 % do total de refugiados provocados pela guerra na Síria e apenas 0,02 % do total da população da Europa.

6. Quase um quarto dos muçulmanos é radical

Um vídeo recuperado agora pela propaganda contra os refugiados sírios apresenta um simpósio nos Estados Unidos, em que uma famosa activista anti-islâmica [6] afirma que «15 a 25 % dos muçulmanos são radicais», ou seja, «180 a 300 milhões de pessoas dedicadas à destruição da civilização ocidental». Mas Angel Rabasa, especialista em radicalização islâmica e autor do livro «EuroJihad» [7], garante que «menos de um por cento» da população muçulmana que vive na Europa está «em risco» de se radicalizar — o que não significa que vão todos a correr pegar numa arma ou numa bomba.

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