Por Dulce Seabra

A tosse convulsa é uma doença respiratória infecciosa, provocada pela bactéria Bordetella pertussis. Para haver transmissão da infecção, uma pessoa tem de estar infectada com a bactéria em questão e transmiti-la através de secreções respiratórias, nomeadamente quando tosse.

A vacina contra a tosse convulsa faz parte do Programa Nacional de Vacinação. É feita em conjunto com outras doenças (DTP) e consiste em cinco doses, todas gratuitas, aos dois, quatro, seis e dezoito meses de idade e a última dose entre os cinco e seis anos.

A vacinação reduziu drasticamente a incidência da doença. No entanto, nos últimos anos, assistiu-se à reemergência desta doença, devido sobretudo à conjugação de dois importantes fcatores: por um lado, a vacinação confere imunidade parcial e temporária, pelo que nem a infecção nem a vacinação transmitem imunidade permanente; por outro lado, a redução significativa do número de casos da doença conduziu a uma redução na imunidade natural (pós-infecção).

Desta forma, é normal a ocorrência periódica de picos de incidência (aproximadamente a cada quatro anos), os quais são previsíveis ao longo do tempo e reforçam a importância de manter uma elevada cobertura vacinal da população, para que sejam cada vez mais espaçados.

Neste sentido, num contexto de promoção da literacia para a saúde, apresentamos algumas informações sobre a tosse convulsa e medidas de prevenção.

O que é a tosse convulsa?

A tosse convulsa é uma doença infecciosa das vias aéreas, causada por uma bactéria, a Bordetella pertussis.

Como se transmite a doença?

A transmissão ocorre por inalação das gotículas respiratórias que se libertam para o ar com a tosse da pessoa infectada.

De que forma se manifesta?

O quadro típico inclui três fases:

  • Fase catarral (uma a duas semanas): período inicial em que a criança parece «constipada», com obstrução nasal, espirros, lacrimejo, tosse seca, sem febre ou com febrícula;
  • Fase paroxística (duas a seis semanas): a tosse agrava-se e manifesta-se com acessos muito intensos, em que a criança fica muito atrapalhada, com a face congestionada e nos acessos mais graves com cianose (roxa). Estes acessos terminam muitas vezes com o vómito da refeição anterior e com um «guincho». Fora dos acessos, a criança parece estar bem.
  • Fase de convalescença (uma semana a vários meses): os acessos de tosse tornam-se mais ligeiros e menos frequentes.

As crianças vacinadas com mais de três doses de vacina, geralmente, têm um quadro clínico mais atenuado e com boa evolução.

Podem ocorrer formas atípicas da doença?

Sim, sobretudo em crianças vacinadas e adolescentes — os sintomas são menos pronunciados, podendo manifestar-se por tosse persistente.

Como se faz o diagnóstico de tosse convulsa?

Na maioria dos casos, o diagnóstico é feito pelos sintomas, podendo ser realizados exames laboratoriais, de acordo com orientação médica.

É necessário internamento hospitalar?

Não é obrigatório. São internados todos os bebés com menos de seis meses e as crianças que apresentem patologia pulmonar ou complicações graves. É necessário o uso de máscara.

A tosse convulsa tem tratamento?

Sim. O tratamento é feito com antibiótico adequado.

É necessário tratar as pessoas que tiveram contacto com o doente (contactos)?

Sim, mas apenas em situações específicas.

Este tratamento deve ser realizado a todo o agregado familiar do caso confirmado e a todos os grupos de risco, de acordo com a orientação médica. O tratamento profiláctico é o mesmo que o terapêutico.

Todos os contactos dum caso confirmado deverão, nos 21 dias seguintes, estar atentos ao aparecimento de sintomas, em especial tosse seca. Nesse caso, deverão ser avaliados pelo médico assistente.

Quando pode a criança ou adulto regressar ao infantário/escola?

A doença é de evicção escolar obrigatória. O doente só pode regressar após cinco dias de tratamento com antibiótico adequado.

Se o médico prescreveu antibiótico profilático, a criança ou adulto pode frequentar a escola enquanto faz a medicação. Siga a orientação médica.

Existe forma de prevenção da doença?

A vacinação completa reduz drasticamente a incidência da doença e em caso de doença diminui a gravidade do quadro clínico.

Os doentes devem retomar o calendário vacinal após a doença.

Recomenda-se que todos os pais confirmem se a vacinação dos seus filhos está em dia e caso não esteja, devem providenciar a sua rápida atualização.

É importante a adoção permanente de medidas de etiqueta respiratória (tossir para o antebraço) e lavagem frequente das mãos.

No caso de ter tosse evite estar com crianças com menos de 6 meses, grávidas e pessoas com doenças graves.

Uma família informada será mais competente e mais responsável.

Em caso de dúvidas esclareça-se com a sua Equipa de Saúde.

Anúncios