Por Satoshi Kanazawa [a]

As disparidades sexuais nos salários e o difícil acesso das mulheres a cargos de topo são causados não pela discriminação dos empregadores ou por quaisquer outras forças externas, mas pelas diferenças sexuais internas desenvolvidas ao longo da evolução em termos de preferências, valores, desejos, estados de espírito e temperamento. Assim, como existem algumas mulheres excepcionais, que são mais motivadas para ganhar dinheiro e alcançar um estatuto mais elevado do que a média dos homens, existem algumas mulheres que ganham mais dinheiro e atingem um estatuto mais elevado do que a maioria dos homens.

Desde os anos sessenta até à década de 1980, as feministas alegavam que as mulheres ganhavam apenas 59 cêntimos, por cada dólar ganho pelos homens. O número exacto já foi revisto para cima, para 64 cêntimos em 1986, setenta cêntimos em 1987 e, segundo o presidente Clinton (se ele contar como feminista), 75 cêntimos em 1999, mas mantém-se a alegação de que as mulheres ainda ganham substancialmente menos do que os homens. No entanto, todas essas comparações ignoram as diferenças inerentes ao sexo em estados de espírito e temperamento, bem como o facto de que a maioria das mulheres não estão interessadas em ganhar dinheiro, tanto quanto os homens, porque têm coisas melhores para fazer do que ganhar dinheiro. Comparações estatísticas mais cuidadosas entre homens e mulheres que estão igualmente motivados para ganhar dinheiro mostram que as mulheres agora ganham 98 centavos por cada dólar que os homens ganham e que o sexo não tem efeito estatisticamente significativo nos ganhos dos trabalhadores. Ajustado para a profissão e a motivação, os homens de hoje não ganham significativamente mais do que as mulheres.

Mas, como a maioria das mulheres não estão tão motivadas para ganhar dinheiro e atingir um estatuto mais elevado do que a média dos homens, a maioria das mulheres não ganham tanto dinheiro nem atingem um estatuto tão alto como os homens. A obra de Browne demonstra convincentemente que provavelmente nunca houve uma restrição externa ao acesso das mulheres a cargos de topo. Nas sociedades capitalistas liberais, como os EUA e o Reino Unido, tanto os homens como as mulheres são livres de perseguir os objectivos que quiserem. Eles apenas tendem a querer coisas diferentes.

Argumentar que as mulheres ganham menos dinheiro do que os homens porque os empregadores as discriminam e as «forças patriarcais» as oprimem é tão absurdo como argumentar que os homens não possuem tantos pares de sapatos como as mulheres, porque os vendedores os discriminam e os impedem de comprar tantos pares de sapatos como as mulheres, como um instrumento pernicioso de opressão matriarcal. O facto inegável de que uma mulher, em média, possui mais pares de sapatos do que um homem não significa que os lojistas de sapatarias discriminem os homens. As mulheres compram e possuem mais pares de sapatos do que os homens simplesmente porque querem (e os homens têm coisas melhores para fazer do que comprar sapatos). Da mesma forma, os homens ganham mais dinheiro do que as mulheres simplesmente porque querem (e as mulheres têm mais com que se ocupar, do que ganhar dinheiro).


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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