Nota do editor: este artigo é um resumo do texto original publicado na revista «The Economist» [1].

Os taxistas ficaram ainda mais antipáticos, por causa da Uber; os hotéis lutam com a Airbnb; e os fabricantes de material informático com a computação colaborativa na nuvem. Os inovadores reinventam modelos de negócio, mas estão também a reinventar a empresa.

A vida empresarial costumava assentar em accionistas anónimos, que compram e vendem acções nas bolsas de valores. Mas, para as empresas emergentes, a realidade é outra e é, em parte, resultado da crescente insatisfação com o modelo das sociedades anónimas.

Após um século de domínio, uma das razões para o desgaste deste modelo é a actuação dos gestores no seu próprio interesse em detrimento do dos accionistas. Mesmo com as stock options, os gestores continuam a privilegiar o desempenho de curto prazo, de forma a acumular bónus e mais-valias, em detrimento duma visão de longo prazo. Os fundos de investimento contribuíram também para a erosão da ligação entre os accionistas e as empresas, ao introduzirem uma gama de regulações e interesses estranhos ao processo. Finalmente, permanecer na bolsa de valores tornou-se oneroso. Os mercados tendem a olhar para os resultados trimestrais, esquecendo a estratégia de longo prazo.

Enquanto o número de empresas listadas nas bolsas de valores, bem como os seus lucros, encolhem, as empresas familiares ganham um novo fôlego e os gestores adoptam novas estratégias. Mas a alternativa mais interessante às sociedades anónimas é uma nova geração de startups com nomes exóticos, tais como unicórnios e gazelas, criadas por jovens em espaços de escritórios partilhados, arrendados ao dia, alimentados a café e sonhos.

A diferença fulcral é na propriedade do capital: enquanto os donos das sociedades anónimas são — passe o pleonasmo — anónimos, estas novas empresas são detidas pelos fundadores e primeiros empregados, com entradas no capital como forma de incentivo e medidas de desempenho realistas, em vez de padrões contabilísticos elaborados.

As novas empresas também exploram a tecnologia como forma de se internacionalizarem, sem necessitarem para isso de aumentar a sua estrutura — obter financiamento via crowdfunding no Kickstarter, contratar programadores no Upwork, alugar capacidade de processamento informático na Amazon, subcontratar fabricantes no Alibaba, definir sistemas de pagamento no Square e partir à conquista do mundo.

Embora esta revolução esteja, para já, confinada a um canto de Silicon Valley, está a tornar-se mais e mais generalizada e um número crescente de empresas opta por se manter fora das bolsas de valores por muito mais tempo, recorrendo a plataformas de investimento como a SeedInvest.

É certo que nem todas estas empresas sobreviverão e que sectores de capital intensivo, tais como o petróleo, continuarão a ser dominados por sociedades anónimas, mas a sua forma de construção empresarial permanecerá como uma nova ferramenta do capitalismo.

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