Por Satoshi Kanazawa [a]

O meu pai era publicitário e sempre me ensinou a julgar um produto pela qualidade dos seus anúncios.

Os melhores produtos tendem a ter melhores anúncios. Ainda que eu seja um utilizador de Macintosh dedicado desde sempre (acabei de comprar o meu 12.º Macintosh em 23 anos), a memória do meu pai dentro de mim não pode deixar de admirar a mais recente campanha publicitária para o Windows do Bill Gates e C.ia.

Eu acredito que devemos dar crédito a quem o merece; e tenho de admitir que adoro a última série de anúncios — «I’m a PC» — do campus de Redmond, que é uma resposta ao enorme sucesso da séria de anúncios da Apple «Mac vs. PC», que inspirou e gerou tantas réplicas, imitações e ramificações. Claro, não é suficiente para abalar a minha lealdade fundamental para com a Apple; nada conseguirá fazê-lo. Mas eu gosto de assistir aos anúncios, em parte como psicólogo evolutivo.

Eu gosto particularmente da versão mais longa (de sessenta segundos) do anúncio original (antes do público ser convidado a partilhar os seus próprios vídeos), que conta com o Tony Parker e a Eva Longoria no meio. O Tony Parker, na piscina, diz:

— Eu sou um PC e tenho três anéis — referindo-se aos seus três anéis de campeão da NBA, e então a câmara avança para a direita, para a Eva Longoria, na mesma piscina, que diz:

— Eu sou um PC e tenho um anel — referindo-se à sua aliança de casamento.

Da perspectiva da psicologia evolutiva, a razão pela qual a Eva tem um anel (sendo casada com o Tony) são precisamente os três anéis deste (que significam que ele é um jogador de basquetebol suficientemente bom para vencer três campeonatos da NBA). Ela não teria casado com ele, se ele não fosse um jogador de basquetebol bem sucedido, ou doutra forma qualquer relativamente distinto. O Tony Parker teve de trabalhar muito duro para se tornar uma estrela do basquetebol, de modo que a Eva dissesse que sim. A Eva é uma grande estrela de televisão por direito próprio, mas isso não é a razão pela qual o Tony Parker quis casar com ela. Ele teria casado com ela, mesmo se ela fosse uma recepcionista totalmente desconhecida no escritório da sede dos Spurs em San Antonio, desde que ela tivesse o mesmo aspecto que tem.

Infelizmente para a Eva, como sou psicólogo evolutivo, também sei algumas coisas sobre o casamento que ela mesma ainda não sabe. Primeiro, mais que provável, o Tony não lhe é fiel (embora haja uma boa hipótese de que a própria Eva esteja ciente disso). Não há absolutamente nenhum objectivo em trabalhar toda a vida para se tornar uma estrela da NBA, se depois tiver de se limitar a uma parceira de cada vez. Tal como qualquer outro homem, o Tony Parker faz tudo o que faz para obter sexo. Em segundo lugar, como a Eva é sete anos mais velha do que o Tony, o seu casamento está infelizmente condenado a ser de curta duração. Naturalmente, os casamentos de Hollywood geralmente não duram muito tempo (e há uma razão psicológica evolutiva para isso [2]), mas o facto da Eva ser muito mais velha do que o Tony será um factor adicional para a curta duração do seu casamento. Eu diria que este casamento terminará antes da Eva Longoria completar quarenta anos [b].

Mas já estou a divagar. Voltando ao assunto Mac vs PC, não pretendo dizer ao Steve Jobs e à sua equipa como fazer o seu trabalho de venda de computadores (isso teria sido o trabalho do meu pai). No entanto, parece-me que a Apple está a perder uma oportunidade de ouro para o aumento das vendas e da quota de mercado, após o lançamento da actual campanha de publicidade do Windows. Parece-me que, se a Apple quisesse aumentar dramaticamente a sua quota de mercado à custa de aparelhos com Windows, tudo o que precisava agora seriam cinco simples palavras:

Deepak Chopra usa um PC.

Use um PC e seja um palerma como o Deepak Chopra. O que poderia ser mais eficaz?


Notas:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

b: O artigo original data de Janeiro de 2009. A Eva Longoria e o Tony Parker viriam a divorciar-se em 2011, quando ela tinha 36 anos e na sequência dela ter descoberto que ele a traía (n. do T.)

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