Por Carlos Lima


O dia internacional do enfermeiro comemora-se a 12 de Maio, por ser o aniversário do nascimento de Florence Nightingale, que é considerada a fundadora da enfermagem moderna.

Para este ano, o Conselho Internacional de Enfermeiros, em articulação com a Organização Mundial de Saúde, dedica o dia ao tema: «Enfermeiros: uma força de mudança — melhorando a resiliência dos sistemas de saúde» [1].

Se entendermos resiliência como sendo a capacidade de recuperar de dificuldades, então os enfermeiros podem desempenhar um papel fundamental na recuperação dos sistemas de saúde, porque são o maior grupo profissional da saúde, porque estão presentes 24 sobre 24 horas em muitos serviços e porque vivem profundamente o seu trabalho, estando sempre presentes, na linha da frente.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros utiliza a expressão:

— O enfermeiro está onde muitas vezes mais ninguém está.

Esta frase faz pensar, faz reflectir, mas, ao mesmo tempo, faz acreditar que o trabalho do enfermeiro é essencial para o equilíbrio dos sistemas de saúde, sem esquecer do importante papel que os sistemas de saúde desempenham no desenvolvimento a nível mundial.

Algumas situações epidémicas, como é o caso do surto pelo vírus ébola [2], levantam questões sobre a preparação e a agilidade dos sistemas de saúde. Se pensarmos que, no caso do ébola, muitos dos profissionais envolvidos no controlo do surto sofreram da doença ou foram vítimas dela, mais pertinente se assume a necessidade de reflectir e recentrar as atenções. Se pensarmos que metade dos profissionais afectados eram enfermeiros ou auxiliares de enfermagem, percebe-se que os enfermeiros estão na linha da frente e precisam dum grande investimento pessoal, social e científico para um trabalho complexo, abrangente, actualizado e indispensável.

Um surto de doença é um choque nos sistemas de saúde, que põe à prova a preparação dos mesmos, e aqui voltamos à resiliência. A resiliência dum sistema de saúde é a sua capacidade de resposta, adaptação e fortalecimento quando exposto a um choque, como um surto, um desastre natural ou um conflito.

Outro aspecto importante relaciona-se com os gastos em saúde, em que as perspectivas de curto prazo levam a poupanças que saem caras mais tarde, ou seja, a baixa aposta em medidas de eliminação de riscos e de prevenção da doença faz com que os custos com a doença sejam exponenciais a médio prazo. Isto é tanto mais importante, quanto temos uma sociedade a envelhecer, nas sociedades ocidentais, e muita gente no limiar da pobreza, nos países em desenvolvimento. Isto é assumido pela política das Nações Unidas, quando coloca o ênfase na necessidade de sistemas de saúde fortes e resilientes, capazes de responder às mudanças rápidas e os coloca no centro dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável [3].

Este dia internacional do enfermeiro vem reconhecer e homenagear o papel dos enfermeiros ao longo do tempo e vem relembrar e fazer reflectir sobre o muito que falta fazer. Mas também vem lembrar aos enfermeiros que é preciso assumir a responsabilidade de mudança. Os enfermeiros não trabalham sozinhos e, como diz a bastonária, «não estamos sozinhos», mas o mundo fica melhor com enfermeiros ainda mais activos e proactivos para as mudanças que é necessário fazer nos sistemas de saúde dos diversos países.

Como enfermeiro, o meu agradecimento aos cidadãos, aos enfermeiros, a todos com quem a enfermagem trabalha e se articula, porque, sendo muitos em número, parece-me evidente que ainda são poucos para as necessidades de mudança em saúde que a evolução do mundo exige.

Saúde!

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