Nota do editor: este artigo é um resumo do texto original da Harriet Sherwood, publicado no jornal «The Guardian» [1].


Um estudo que analisou a relação entre a religião e a moral descobriu que, ao contrário do senso comum, a crença religiosa é uma influência negativa no altruísmo das crianças [2]. A conclusão principal é que a secularização do discurso moral não reduz a empatia humana, bem pelo contrário.

Este estudo incluiu quase 1.200 crianças entre os cinco e os doze anos, de seis países diferentes, divididas entre Cristãos (24%), Muçulmanos (43%) e não religiosas (27,6%). A cada criança, foram dados autocolantes, tendo-lhes sido dito que não havia autocolantes suficientes para todos, para ver se partilhavam. Mostraram-lhes também filmes de crianças a empurrar-se umas às outras e analisou-se a sua resposta. Surpreendentemente, as crianças de famílias identificadas como Cristãs ou Islâmicas foram menos altruístas do que as de famílias não religiosas; e as crianças mais velhas (expostas aos ensinamentos religiosos durante mais tempo) foram as que tiveram as reacções mais negativas.

A religiosidade também afecta as tendências punitivas das crianças: as de famílias religiosas são mais críticas das acções alheias e, dentro destas, as islâmicas são as mais punitivas.

Por seu turno, os pais religiosos são mais propensos a considerar os seus filhos mais empáticos e sensíveis às necessidades dos outros.

Este estudo vem clarificar a questão da relação entre religião e moral, sendo um antídoto à presunção de que a religião é um pré-requisito para a existência de moral [3], demonstrando que a ética religiosa não é necessariamente superior à visão secular.

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